Independiente del Valle levou o Vasco à lona por 5 x 1 no agregado. Foto: Pablo Porciuncula/AFP
Como canta Cazuza, “mentiras sinceras me interessam”. Maior abandonada em uma crise sem fim, a torcida do Vasco se iludiu porque quis com a narrativa de que a prioridade do clube na temporada era a conquista da Copa Sul-Americana. Não houve planejamento para isso. Muito menos existe um elenco à altura da meta. Batê-la seria um milagre digno de uma estátua, em São Januário, semelhante às de Romário e de Roberto Dinamite.
Pedrinho considerava possível no país das maravilhas dele, no qual o Vasco tem um dos oito melhores elenco do futebol brasileiro. Fábio Carille não conseguiu comprovar a tese de Pedrinho. Fernando Diniz, por enquanto, também não. São dois bons técnicos, mas de conceitos totalmente opostos para mudanças repentinas em um plantel limitadíssimo.
O calendário é sempre o principal alvo dos treinadores. Reclamam, com razão, da falta de tempo para trabalhar com jogos encavalados por diversas competições. Mas o que fazem eles quando têm uma pausa como a oferecida pela Copa do Mundo de Clubes da Fifa?
Enquanto Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras jogavam no limite da capacidade técnica e física nos Estados Unidos, 16 concorrentes davam férias, recesso e voltavam ao batente. Um deles, o Vasco. O time cruz-maltino retornou pior do intervalo.
Perdeu por 2 x 0 para o cansado Botafogo. Tomou 4 x 0 do Independiente del Valle no jogo de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana. Empatou com o Grêmio no fim de semana, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. Na sequência, a tentativa impossível de fazer pelo menos 4 x 0 para forças os pênaltis.
O gol equatoriano jogou balde de água congelada nas pretensões. Pablo Vegetti, sempre ele, empatou ao marcar o quinto gol dele no torneio, o 20º em 2025. Apequenado, o Vasco honraria a fama de Gigante da Colina se tivesse mais 10 Vegetis — o símbolo da entrega.
A revolta puniu o presidente Pedrinho. O dirigente ouviu xingamentos de parte da torcida. Ele é apenas mais um administrar o inadministrável legado dos tempos de desmando de Eurico Miranda. Quem amava a gestão do cartola vê os sucessores tentando domar o touro pelo chifre. Pedrinho é o segundo ex-jogador a tentar, depois de Dinamite, e não consegue. Até a SAF com a tal 777 fracassou.
Fernando Diniz é mais um ex-técnico da Seleção em má fase. A aventura na CBF com direito a punhalada nas costas do ex-presidente Ednaldo Rodrigues parece ter feito muito mal ao ótimo profissional. O trabalho dele desandou no Fluminense, minguou no Cruzeiro e passa por maus momentos no Vasco. Culpa dele? Também. Topar o convite foi erro de avaliação.
Rafael Paiva foi quem melhor entendeu o Vasco ao levá-lo às semifinais da Copa do Brasil no ano passado. A paciência com ele terminou e reiniciou o ciclo vicioso de trocas de técnico. Felipe assumiu, repassou a prancheta a Fábio Carille, o técnico caiu, devolveu o cargo ao interino, e o tampão fez a transição para Fernando Diniz.
O Vasco tem um adversário acessível nas oitavas de final da Copa do Brasil, mas é impossível cravar favoritismo contra o nono colocado na Série C. Qual será a prioridade agora? Caminhar o mais distante possível no mata-mata nacional para ganhar dinheiro ou evitar mais um rebaixamento para a Série B? O Vasco não está no Z-4 porque tem saldo de gols -4 contra -5 do Santos. Juventude e Fortaleza estão três pontos atrás.
O empate com o Independiente del Valle por 1 x 1 nessa terça, e a eliminação por 5 x 1 no placar agregado, parecia não tem fim. Mais um entre tantos pesadelos intermináveis para a coleção de uma imensa torcida bem infeliz com tantas migalhas de ilusões e fracassos em série.
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