
Filadélfia — A impressão depois de duas rodadas da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 é de que a decisão de 2022 não acabou. Protagonistas da “Final das Finais” há três anos e meio no Estádio Icônico de Lusail, no Catar, Lionel Messi e Kylian Mbappé parecem ter combinado uma revanche em 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Detalhe: cada um está fazendo a própria parte no acordo de cavalheiros.
O trono solitário do extraterrestre
Lionel Messi virou o maior artilheiro da história das Copas no jogo mais difícil do Grupo J. Se alguém ofereceria resistência à Argentina, seria justamente a Áustria. Só que não. Messi fez dois e deixou o aposentado Miroslav Klose para trás: 18 x 16. Alcançaria 19, mas desperdiçou um pênalti. Se Messi tem ponto fraco é justamente nesse fundamento.
Ao contrário de Gerd Müller, cujo recorde durou de 1974 a 2006; e de Ronaldo, soberano de 2006 a 2014; a hegemonia de Messi parece ter prazo de validade. A menos, claro, que ele tire o atraso de seis participações em Copas na última rodada contra a estreante Jordânia. Parece mentira, mas o extraterrestre passou a Copa de 2010 inteira na África do Sul sem gol. Culpa daquela Argentina desordenada sob o comando de Diego Armando Maradona.
A obsessão e a pressa de Mbappé
Kylian Mbappé disputa o Mundial pela terceira vez. Fã de Cristiano Ronaldo, incorpora a obsessão do português pelo antagonismo a Messi. Fez cinco gols na campanha do bi da França em 2018. Balançou a rede oito vezes no vice em 2022. Com mais quatro em 2026, empata com Miroslav Klose, com quem Messi estava igualado antes do início da rodada.
A caminhada do francês tem pedágios. Ele iniciou a campanha empatado com Pelé. Ambos com 12 gols. Ultrapassou Gerd Müller (14), deixou Ronaldo, o Fenômeno (15), para trás, e colou em Miroslav Klose. Ambos têm 16. Mbappé não tem pressa. Messi faz 39 anos nesta quarta-feira. Está se despedindo da Copa. Aos 27, o francês tem pelo menos mais duas.
Conjuntos perfeitos rumo a Nova Jersey
Mais do que dois gênios, Argentina e França desfrutam de dois timaços. Como se não bastasse a individualidade, há conjunto. As duas seleções ainda não sofreram gol na Copa. Os atuais campeões marcaram cinco gols. Todos de Messi. A vice vigente também ostenta uma mão cheia de bolas na rede e ainda não foi vazada.
Eles combinam até na missão dos técnicos. Lionel Scaloni cobiça o bicampeonato. Didier Deschamps também. Se um deles conseguir, igualará o italiano Vittorio Pozzo, o único dono de prancheta campeão duas vezes da Copa do Mundo em 1934 e 1938. Dos dois, apenas Scaloni pode igualá-lo a incrível marca em edições consecutivas.
Tudo conspira por um novo Argentina e França na final.
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