FBL-WC-2026-TRAINING-MEX Javier Aguirre comanda o México pela terceira vez como técnico na Copa. Foto: Rodrigo Oropeza / AFP) Javier Aguirre comanda o México pela terceira vez como técnico na Copa. Foto: Rodrigo Oropeza / AFP)

Personagem do dia 1: “Zagallo” mexicano, Javier Aguirre alcança quinta Copa

Publicado em Esporte

New Jersey (EUA) — Um dos três anfitriões da Copa do Mundo, o México será comandado por uma espécie de Zagallo asteca. Aos 67 anos — a mesma idade de Carlo Ancelotti — Javier Aguirre não coleciona os títulos do Velho Lobo, mas construiu uma trajetória igualmente singular no futebol.

 

Nascido em 1º de dezembro de 1958, na Cidade do México, Aguirre acaba de completar meio século de carreira entre os papéis de jogador e treinador e disputará a Copa do Mundo pela quinta vez. O trabalho dele sofre duas críticas, mas como diria o Velho Lobo, “vão ter que me engolir”.

 

Em 1986, Javier Aguirre era meia-atacante da seleção mexicana dirigida pelo sérvio Bora Milutinovic. Diante da própria torcida, ajudou o país a alcançar as quartas de final — ainda hoje uma das melhores campanhas da história mexicana no torneio. A eliminação veio nos pênaltis contra a Alemanha Ocidental, em Monterrey, depois do empate sem gols. Aguirre, então jogador do Atlante, usava a camisa 13 em um elenco liderado por Hugo Sánchez.

 

Oito anos mais tarde, participou novamente do Mundial, agora fora das quatro linhas. Em 1994, integrou a comissão técnica de Miguel Mejía Barón. O México impressionou ao terminar em primeiro lugar no equilibradíssimo Grupo E, à frente de Itália, Irlanda e Noruega. O sonho terminou nas oitavas de final: empate por 1 x 1 com a Bulgária e eliminação nos pênaltis.

 

A experiência abriu as portas para um novo patamar. Em 2002, no Japão e na Coreia do Sul, Javier Aguirre assumiu o comando técnico da seleção e repetiu o feito da liderança do grupo, deixando para trás Itália, Croácia e Equador. Depois de encantar na primeira fase, caiu diante dos Estados Unidos por 2 x 0 nas oitavas — uma das derrotas mais dolorosas da história recente do futebol mexicano.

 

O roteiro se repetiu em 2010. Aguirre voltou ao Mundial como treinador e comandou o México justamente no jogo de abertura contra a anfitriã África do Sul. O empate por 1 x 1 em Johannesburgo entrou para a memória pela atmosfera criada no Soccer City e pela trilha sonora daquela Copa: Waka Waka, de Shakira.

 

Uma das facetas do México de Javier Aguirre: sistema 4-3-3. Arte: Marcos Paulo Lima

 

Agora, em 2026, como anfitrião mais uma vez, “El Vasco” tem encontro marcado com a atualização do almanaque.

 

Logo na estreia, estabelecerá uma marca inédita: será o único personagem da Copa do Mundo a participar de três aberturas do torneio — jogador em 1986 e técnico em 2010 e 2026.

 

Vale um detalhe histórico: em 1986, o jogo inaugural ainda seguia outra tradição. A honra da abertura pertencia à campeã vigente. Por isso, Itália e Bulgária fizeram a primeira partida do torneio, enquanto o México debutou posteriormente.

 

Com cinco participações em Copas, Aguirre também se aproxima de outro feito simbólico. Em 2030, pode igualar as seis presenças do brasileiro Carlos Alberto Parreira — recordista entre treinadores — acumuladas em Kuwait (1982), Emirados Árabes Unidos (1990), Brasil (1994 e 2006), Arábia Saudita (1998) e África do Sul (2010).

 

Há ainda uma coincidência curiosa ligando passado e presente.

 

O adversário mexicano na abertura será a África do Sul, treinada pelo belga Hugo Broos, hoje com 70 anos. Em 1986, Broos era o camisa 19 da Bélgica derrotada por 2 x 1 justamente pelo México de Javier Aguirre na fase de grupos.

 

Quarenta anos depois, os dois voltam a se encontrar em uma Copa — desta vez à beira do campo.

 

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