Personagem do dia 9: Endrick, o brasileiro que não desiste nunca de esperar

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Endrick pode ser o primeiro jogador de 19 anos titular desde Tostão em 1966. Foto: Mauro Pimentel/AFP

 

Filadélfia — O Brasil não inicia um jogo da Copa do Mundo com um jogador de 19 anos desde 1966. Endrick ou Rayan podem encerrar a escrita de 60 anos nesta sexta-feira contra o Haiti, às 21h30 (de Brasília), no Lincoln Financial Field, pela segunda rodada do Grupo C.

 

Em 1966, o fora de série Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, entrou em campo com 19 anos na segunda partida do Brasil na Copa da Inglaterra. O mineiro de Belo Horizonte não somete pisou no gramado como fez o único gol do Brasil na derrota por 3 x 1 para a Hungria.

 

De lá para cá, os técnicos resistem bravamente a escalar um jogador abaixo dos 20 anos desde o início em uma partida do Brasil. Nem mesmo Ronaldo, o Fenômeno, conseguiu essa façanha na Copa de 1994. Tinha 17 anos e amargou o banco do início ao fim.

 

Endrick vive um momento contraditório na Copa. Recebe elogios, mas amarga o banco de reservas. Um menino prodígio incompreendido como Lionel Messi na Copa de 2006. Eleito oito vezes melhor do mundo, o extraterrestre argentino tinha 19 anos na estreia no torneio e ouvia o clamor popular pelo ingresso dele na seleção albiceleste. No entanto, o técnico Néstor Pekerman fazia ouvido de mercador. O camisa 19 debutou na Copa do na segunda partida na goleada por 6 x 0 contra a Sérvia. Recebeu assistência de Tévez e marcou o sexto.

 

Em 1994, o comentário de dentro para fora do ambiente da Seleção era de que Ronaldo estava voando nos treinos sob o comando de Carlos Alberto Parreira. Trinta e dois anos depois, crescem os relatos e os elogios ao desempenho de Endrick nos treinos liderados pelo treinador italiano Carlo Ancelotti no CT do New York Red Bull.

 

Danilo testemunhou: “Endrick é um jogador muito importante, é uma joia rara que a gente tem no futebol brasileiro. É um jogador que tem uma potência de perna muito grande, um poder de decisão muito grande, é um jogador que tem estrela; as coisas acontecem e você não sabe por que, mas ele faz gol. É um cara que a gente quer ter perto”, disse nesta semana.

 

“No treino de hoje, quando vocês já não estavam, ele teve lances e fez gols que você fala: ‘Cara…’. Ele deu um chute no Nannetti (goleiro chamado para os treinos da seleção) que quase tirou o moleque do treino. É o tipo de jogador que a gente quer ter e que esperamos que possa ter o maior protagonismo possível dentro da seleção brasileira”, assumiu.

 

Ex-técnico de Endrick no Real Madrid, Carlo Ancelotti se rendeu definitivamente ao talento na convivência diária com ele no ambiente da Seleção e o diferenciou de atacante como Matheus Cunha e Igor Thiago. O Matheus Cunha tem mais qualidade pelo meio e pela ponta, de atacante de referência, algo que também tem o Igor Thiago. É um jogador de referência na área, forte nos duelos, muito agressivo na recuperação da bola. Endrick é (pausa). Não é nenhum ou nem outro. Endrick é outra coisa”, definiu o italiano.

 

“Para mim, pessoalmente, Endrick é outra coisa. É um talento extraordinário. E o Brasil vai aproveitar de suas qualidades nesta Copa do Mundo e também na próxima Copa do Mundo. Ele é paciente, não tem pressa. É muito, devo dizer, maduro para sua idade. Isso é um aspecto muito importante. E também na família, o trato dele é muito, muito paciente”.

 

Então, por que Endrick não joga diante de tantos elogios? “Temos que colocar Endrick no momento correto (risos). Vamos esperar um pouco. Vai ser importante”, despista o técnico.

 

Que seja importante contra o Haiti nesta sexta-feira e a Escócia no próximo dia 24. A primeira fase passa rapidamente. O Brasil procura por um centroavante para chamar de seu há 20 anos, desde a aposentadoria da Seleção na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Tivemos Luis Fabiano em 2010, Fred (2014), Gabriel Jesus (2018) e Richarlison (2022). A nove está com Matheus Cunha na hierarquia, mas Endrick está merecendo na bola.

 

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