New Jersey — Há jogadores pés no chão, que pisam no gramado. Lionel Messi levita. Aos 39 anos, quando muitos imaginavam apenas os capítulos finais da maior história individual do futebol argentino, ele escreveu mais uma página de resistência.
Contra o Egito, em uma noite de nervos à flor da pele, pressão constante e arquibancadas transformadas em trincheira, Messi marcou, chorou e comandou a virada argentina por 3 x 2. Foi uma partida com alma de Libertadores no coração dos Estados Unidos: divididas intensas, torcida pulsante, sofrimento até o último segundo e a sensação de que cada bola carregava o peso de uma eliminação.
O gol de Messi teve o simbolismo de sempre. Não apenas pelo número na estatística, mas pelo momento. Quando a Argentina precisava de um líder, ele apareceu. Quando o jogo ameaçava escapar, ele puxou a responsabilidade. Aos poucos, o camisa 10 deixou de ser apenas o gênio dos lances improváveis para se transformar no homem das grandes noites de sobrevivência.
Depois do apito final, vieram as lágrimas. Um choro que misturava alívio, desgaste e a consciência de que cada partida pode ser a última em uma Copa do Mundo. Messi sabe que o tempo avança, mas continua desafiando o calendário da Copa e da carreira. Segue buscando a próxima virada.
A Argentina encontrou no Egito de Mohamed Salah um adversário incômodo, competitivo e transformou Atlanta em um estádio sul-americano. A atmosfera lembrou os velhos confrontos de Libertadores: jogo físico, tensão permanente e uma torcida que empurrava cada disputa como se fosse a última.
No meio do caos, estava Messi. Como tantas vezes antes, esperando o instante certo para mudar a história. Ele não corre contra o tempo. Joga contra ele.
E, enquanto houver uma virada possível, Lionel Messi continuará tentando.
Mesmo quando a ajuda vem de um detalhe do VAR ou de uma hesitação do adversário. Porque as lendas também precisam de uma brecha. Messi, mais do que ninguém, sabe encontrá-la.
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