Azzedine Ounahi (8) é celebrado por Brahim Díaz: atuação de gala. Foto: Ronaldo Schemidt/AFP
No Catar, ele encantou o mundo pela leveza. Na América do Norte, pela contundência. Quatro anos depois de se transformar em uma das grandes revelações da Copa do Mundo, Azzedine Ounahi escreveu um novo capítulo da própria história ao marcar dois gols na vitória por 3 x 0 sobre o Canadá e conduzir Marrocos novamente às quartas de final. Brahim Díaz e Achraf Hakimi assumiram o papel de coadjuvantes dele em um sábado de gala.
Aos 26 anos, o camisa 8 nasceu em Casablanca, a maior cidade marroquina, e construiu uma trajetória de paciência até alcançar o protagonismo. Formado na Academia Mohammed VI, mudou-se ainda jovem para a França, onde passou pelas categorias de base do Strasbourg e pelo Avranches antes de despontar no Angers. O reconhecimento internacional, porém, só viria no Mundial de 2022.
No quarto lugar inédito, Ounahi conquistou admiradores pela capacidade de escapar da marcação, conduzir a bola com elegância e acelerar as transições. A atuação nas oitavas de final contra a Espanha foi marcante e provocou uma reação espontânea do então técnico espanhol, Luis Enrique. Sem lembrar o nome do adversário, confessou ele confesso na entrevista coletiva: “Fiquei agradavelmente surpreso com o número 8. Não me lembro o nome dele, desculpem. Meu Deus, de onde saiu esse rapaz? Joga muito bem. Surpreendeu”.
Quatro anos depois, ninguém mais pergunta de onde saiu Ounahi. O meia deixou de ser apenas o organizador da equipe para se tornar também um homem de decisões. Os dois gols diante do Canadá simbolizam essa transformação. Sem perder a visão de jogo e a qualidade no passe, passou a aparecer com mais frequência na área adversária, reflexo de uma função mais ofensiva desempenhada nesta Copa.
A carreira também conheceu obstáculos. Depois do brilho no Catar, viveu momentos de instabilidade no Olympique de Marseille, reencontrou a confiança durante a passagem pelo Panathinaikos e chegou ao Girona disposto a relançar a trajetória em alto nível. A maturidade parece ter encontrado o ambiente ideal na seleção marroquina.
A classificação às quartas de final confirma que a epopeia de 2022 não foi obra do acaso. Marrocos deixou de ser apenas a seleção que surpreende para se consolidar entre as novas forças do futebol mundial. E poucos simbolizam essa evolução tão bem quanto Ounahi. O jogador que um dia fez um dos técnicos mais respeitados do planeta perguntar “de onde saiu esse rapaz?”, agora responde em campo: saiu para ficar.
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