Debate entre a Libra e a LFF é um dos debates intermináveis do futebol brasileiro. Foto: Rodrigo Corsi/FPF
A primeira Data Fifa do ano para o amistoso de uma Seleção Brasileira “frankenstein”, sem técnico há 103 dias, contra Marrocos, no sábado, tira os times brasileiros do campo nos Estaduais e na Copa do Brasil e joga holofote nos dirigentes. Os cartolas aproveitam a pausa no que interessa para roubar a cena em diferentes frentes e expor velhas mazelas do futebol nacional como as disputas pelo poder, a subserviência a torcidas organizadas e os debates sem fim sobre a divisão das cotas de televisão e a criação da liga nacional.
Nos bastidores do Flamengo, conselheiros vinculados ao presidente Rodolfo Landim tramam mudanças no estatuto para adicionar um ano ao mandato do dirigente. A mudança teria efeito imediato. O mandato do cartola, previsto para expirar em dezembro de 2024, avançaria até 2025. O grupo é acusado de articular um golpe. Consequentemente, a sempre aquecida vida política do clube pega fogo diante dos contra-ataques da oposição.
No Corinthians, o presidente Duilio Monteiro Alves aproveitou o período sem jogos depois do papelão nas quartas de final do Paulistão contra o Ituano para ceder às pressões de integrantes da Gaviões da Fiel. Depois da invasão ao CT, o dirigente deu entrevista coletiva para anunciar justamente o que os descontentes desejavam: a saída do diretor de futebol Roberto de Andrade.
A Data Fifa também dá protagonismo ao presidente do São Paulo. Julio Casares aproveita o intervalo para colocar panos quentes na crise tricolor. Fora do Paulistão depois da queda nos pênaltis contra o Água Santa, o dirigente decidiu colocar panos quentes na tensão provocada pelo desentendimento entre o técnico Rogério Ceni e o atacante Marcos Paulo.
“Quem conhece o mundo da bola sabe que o vestiário às vezes é tenso, tanto nas partidas quanto nos treinos. Existe cobrança, hierarquia e disciplina. E o técnico tem que fazer também com que o pensamento dele se sobreponha ao de todos”, ponderou Julio Casares, em entrevista ao canal do colega André Hernan. O discurso do dirigente não foi minimamente convincente.
Paralelamente, cartolas da Liga do Futebol Brasileiro e da Liga Forte Futebol seguem travando uma desgastante queda de braço no debate pelas cotas de tevê de uma futura liga nacional de clubes, a partir de 2025. A proteção aos clubes mais populares do país — Flamengo e Corinthians — proposta pela Libra revoltou o presidente do Atlético-MG, um dos líderes do bloco contrário.
“Por que ter essa garantia se estamos em uma liga com participações iguais? Claro, iremos respeitar que os clubes que têm maior torcida, maior apelo, e performance melhor, ganharão realmente mais. O Flamengo vai ganhar mais. Mas é preciso encurtar essa distância”, criticou Sérgio Coelho em entrevista à rádio Itatiaia.
Mais do que palco para cartolas, a primeira Data Fifa do ano expõe as mazelas que travam a modernização do futebol brasileiro. Se clubes como Flamengo e Corinthians não conseguem resolver decentemente tensões políticas internas como alteração no estatuto e a saída de um diretor de futebol, imagina a pacificação de blocos antagônicos no infindável debate da liga.
De um lado do balcão estão clubes vinculados à Libra: Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Palmeiras, Ponte Preta, Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.
Do outro, a turma da LFF: ABC, Athletico-PR, Atlético-MG, América-MG, Atlético-GO, Avaí, Brusque, Chapecoense, Coritiba, Ceará, Criciúma, CRB, CSA, Cuiabá, Figueirense, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário-PR, Sport, Vila Nova e Tombense.
No meio disso tudo, o sistema arcaico do futebol brasileiro cada vez mais refém dos caprichos e vaidades de cartolas que insistem propositadamente em não se entender.
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