Paris-2024: Entenda por que não é fácil liberar Marta para a semifinal

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A tentativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de colocar Marta em campo contra a Espanha na próxima terça-feira na semifinal do torneio de futebol feminino nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 é válida, porém o deferimento parece improvável. Só uma manobra muito bem costurada nos bastidores, com direito a uma caneta do presidente Gianni Infantino, é capaz de desmoralizar a decisão da Comissão Disciplinar de duas partidas de punição para a jogadora eleita seis vezes número 1 do mundo.

A Fifa detesta efeito suspensivo desde 1997. À época, Edmundo havia sido expulso contra o Palmeiras no primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro. Eurico Miranda manobrou e o STJD autorizou a escalação do atacante na partida de volta. Embora tivesse usado o artifício em 1994 na final da Série A contra o Corinthians, a diretoria alviverde considerou a reviravolta no tapetão um absurdo e a jurisprudência causada pelo jeitinho brasileiro chegou ao alto escalão da Fifa à época.

A entidade não gostou e baixou decreto encaminhado a todas as federações filiadas, em vigor até hoje, determinando suspensão automática e outras sanções em casos como o do lance de Marta na partida contra a Espanha. A camisa 10 comete jogo desleal contra a adversária e recebe cartão vermelho direto. A Comissão Disciplinar acrescentou um jogo.

Pelo menos três casos comprovam a severidade da Fifa e o posicionamento praticamente imutável das decisões jurídicas da entidade. Na Copa de 1998, Zidane deu pisão no adversário da Arábia Saudita. Expulso, cumpriu suspensão automática contra a Dinamarca e mais uma partida nas oitavas de final diante do Paraguai por causa da agressão. A França era anfitriã do Mundial. O castigo a Zidane foi irreversível.

O que diz o parágrafo 11.5 do regulamento do futebol olímpico

Se jogadores ou dirigentes de equipe forem expulsos como resultado de cartão vermelho direto ou indireto, eles serão automaticamente suspensos do próximo jogo de sua equipe. Além disso, outras sanções poderão ser impostas pelo Comitê Disciplinar da Fifa.

Quatro anos depois, Michael Ballack fazia uma Copa do Mundo excelente no Japão e na Coreia do Sul até receber o segundo cartão amarelo contra a Coreia do Sul nas semifinais após cometer uma falta violenta. Resultado: a Alemanha ficou sem o principal articulador do meio de campo na decisão do título contra o Brasil. Ballack cumpriu a suspensão automática. Não houve margem de negociação com a Fifa nem jeitinho alemão.

O uruguaio Luis Suárez mordeu o italiano Chiellini na Copa do Mundo de 2014 e a Fifa não passou a mão na cabeça do centroavante. O torneio acabou para ele. A Celeste jogou sem o craque contra a Colômbia, no Maracanã, pelas oitavas de final do torneio disputado no Brasil. O atacante recebeu nove jogos de castigo e foi afastado do futebol por quatro meses. A Associação Uruguaia de Futebol tentou recorrer, mas não teve êxito.

Há episódios como o de Garrincha, expulso na semifinal da Copa do Mundo e escalado na final contra a extinta Tchecoslováquia depois de uma manobra nos bastidores liderada pelo então chefe de delegação Paulo Machado de Carvalho, porém é num passado distante.

Marta jamais havia sido expulsa em 201 jogos com a camisa da Seleção. Não tem fama de violenta. Longe disso. Isso pesa a favor dela. Atenuante também a coleção de prêmios de melhor do mundo, a despedida dos Jogos e um certo desdém da Fifa pelo torneio olímpico de futebol feminino. Prova disso é a quantidade de seleções (12) e o limite de 18 jogadoras convocadas.

O Brasil terá novamente uma reserva de linha a menos contra a Espanha. Pode pesar a favor de Marta o fato de o presidente da CBF ter uma cadeira no Conselho da Fifa, responsável por tomar as decisões mais importantes do futebol mundial. Vai que o Caso Marta entra na agenda do dia em uma grande manobra nos bastidores. A Real Federação Espanhola de Futebol certamente monitora.

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Marcos Paulo Lima

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