Posse de bola? Fernando Diniz usou retranca e faltas para deter o Flamengo. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
O Flamengo perdeu sete pontos no Campeonato Brasileiro sob o comando de Jorge Jesus: empates com São Paulo e Corinthians e derrota para o Bahia. Estilos diferentes, estratégias distintas de três jovens profissionais — Fábio Carille, Roger Machado e Fernando Diniz — pararam o melhor time da Série A. Resultado: vira estudo de caso. Diniz é quem mais fugiu do seu estilo ao arrancar 0 x 0 no Maracanã neste sábado e quebrar a série de oito vitórias consecutivas do líder. Mais do que isso: o tricolor paulista é o primeiro time a tirar pontos da equipe rubro-negra no Maracanã — o Fluminense era mandante no clássico em campo neutro do primeiro turno.
No país em que técnico recém-contratado tem mania de recusar-se ir a campo no jogo de “estreia” e acompanhar tudo lá na tribuna de honra para não se expor, Fernando Diniz mostrou-se mais outra vez diferenciado. Corajoso, liderou o São Paulo dentro das quatro linhas. Não tinha muito que fazer em um dia de trabalho depois de aceitar suceder Cuca, mas teve a virtude de apresentar solução simples e imediata para um duelo dificílimo contra o Flamengo. Contou ainda com exibição inspirada do goleiro Tiago Volpi.
O Diniz que conhecemos do Audax-SP, do Athletico-PR e do Fluminense é o da posse de bola, da ousadia, ofensivo. O Flamengo terminou o duelo com 62% de posse contra 32% do São Paulo. Finalizou 18 vezes contra 8 do adversário.
A proposta de Diniz é compreensiva num primeiro momento. Deixar o São Paulo com a cara dele demanda tempo de trabalho. Não se resolve da noite para o dia. Diniz preferiu não ser Diniz para evitar a derrota no Maracanã. Conseguiu quebrando a velocidade do Flamengo. Algumas vezes recorrendo, sim, ao antijogo. Não adianta Jorge Jesus reclamar. Elencos experientes como o dele também devem estar prontos para esse tipo de dificuldade. Cabe ao árbitro impedir isso.
O método usado pelo São Paulo no Maracanã pode (e deve) ser questionado, porém, foi eficiente. Impediu o ritmo alucinante do Flamengo. O time de Jorge Jesus é aquele pugilista que entra em campo para nocautear o adversário no primeiro assalto. Quase encaixou o golpe. Tiago Volpi não abriu a guarda. O São Paulo ficou nas cordas, mas não caiu. Com a bola nos pés, trocou passes curtos. Ameaçado, cometeu 27 faltas. Algumas delas lamentavelmente com a conivência do árbitro catarinense Rafael Traci.
Diniz é o terceiro treinador a tirar ponto de Jesus neste Brasileirão. A raridade vira estudo de caso. Em agosto, Roger Machado levou o Bahia à vitória por 3 x 0 na Arena Fonte Nova explorando os desajustes nas laterais do Flamengo. Era o início do trabalho do treinador português. O tricolor colocou Arthur para explorar as costas de Filipe Luís e contou com uma tarde iluminada de Gilberto. Fábio Carille apostou na organização tática, nas linhas justas, para empatar (e quase vencer) por 1 x 1. O Flamengo teve mais posse de bola e não infiltrava. Foram apenas três chances de finalizar.
Vem aí o grande teste para o Flamengo de Jorge Jesus na semifinal da Libertadores. O Grêmio tem tempo de trabalho. Renato Gaúcho está lá há três meses. O tricolor gaúcho é organizado taticamente e conta com jogadores que desequilibram. Everton dribla. Diego Tardelli se movimenta. Se estiver a fim de jogo, Luan vira um baita reforço.
Enquanto o Grêmio não vem, o Flamengo não tem motivos para considerar ruim o empate com o São Paulo. A sequência do líder foi dura neste início de segundo turno. Ganhou sete dos nove pontos disputados contra Cruzeiro, Internacional e São Paulo. No primeiro, contra os mesmos adversários, conquistou quatro sob a batuta de Abel Braga. Detalhe: Inter e São Paulo são dois concorrentes diretos do time carioca na maratona pelo título. Foi ruim, mas tá bom.
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