Rogério Ceni estreia nesta quinta contra o Ceará. Foto: Rubens Chiri/SPFC
Primeiro ponto. O São Paulo agiu com Hernán Crespo da mesma forma desrespeitosa que demitiu Diego Aguirre em 2018. Isso não dá às diretorias do passado e do presente o direito de reclamar das deserções do colombiano Juan Carlos Osorio para assumir a seleção do México ou do argentino Edgardo Bauza pelo tentador convite para comandar a Argentina de Lionel Messi. Foi desonesto o descarte do técnico responsável pelo fim do jejum de nove anos sem título. Crespo cumpriu o script entregue a ele. Priorizaram o titulo do Campeonato Paulista e ele atingiu a meta. Apesar dos insucessos na Libertadores, na Copa do Brasil e na Série A, merecia a mínima consideração. O trabalho deveria ser concluído, não interrompido.
Treinadores cobram respeito, falam em ética, mas volta e meia são incapazes de colocar o belo discurso em prática. Tenho a impressão de que Rogério Ceni estava acertado com o São Paulo faz um tempinho. A velocidade dos acontecimentos indica isso. O maior ídolo da história do clube estava de stand-by e só voltaria ao batente neste ano, obviamente, no Morumbi.
Críticas necessárias à parte, o São Paulo aposta em uma fórmula que deu certo recentemente, por exemplo, no Grêmio: a contratação de um técnico-ídolo. Algo parecido com o que fez o Grêmio com Renato Gaúcho. O Criciúma tentou recentemente com Paulo Baier. O Grêmio esperava que Roger Machado topasse suceder Luiz Felipe Scolari.
Não funcionou na primeira passagem de Rogério Ceni pelo tricolor como técnico, mas nada impede que dê certo agora. O treinador volta ao CT da Barra Funda maior do que saiu. É o atual campeão brasileiro, da Supercopa do Brasil e do Carioca. Levou o Fortaleza aos títulos da Série B, Copa do Nordeste e dois estaduais. Acumulou erros e acertos nas passagens por Fortaleza, Cruzeiro e Flamengo e deve ter aprendido com eles. Espera-se.
Ceni tinha fama, por exemplo, de pegar atalho. Trocou o Fortaleza pelo Cruzeiro diante da oportunidade de ser campeão da Copa do Brasil. O time mineiro estava na semifinal de 2019 contra o Athletico-PR. Topou a missão e foi eliminado. Deixou o time cearense no ano passado para assumir um Flamengo vivo na Copa do Brasil, Libertadores e no Brasileirão. Fracassou nos mata-matas contra o São Paulo e o Racing, mas foi um dos protagonistas do bi nacional.
A volta de Rogério Ceni faz bem a um futebol brasileiro viciado nos técnicos de sempre e carente de novas ideias. Rogério Ceni lida com a fama de antipático, mas vamos ao que interessa: ele é estudioso, diferenciado, tenta e nem sempre consegue se aproximar dos modernos conceitos europeus. Perambulou pelo Velho Mundo antes de virar técnico. Matriculou-se no CBF Academy em busca de conhecimento. Inspira-se em um ex-técnico do São Paulo, o colombiano Juan Carlos Osorio e terá na retaguarda o professor Muricy Ramalho.
Rogério Ceni teve coragem para reinventar o Flamengo ao recuar Willian Arão para a zaga e apostar em Diego Ribas no papel que Andreas Pirlo assumiu no fim da carreira na Juventus. O São Paulo precisa desse Ceni, não daquele dos problemas de relacionamento nas conturbadas saídas do Cruzeiro e do Flamengo, dois gigantes com vestiários repletos de figurões. Conhecimento para montar times vencedores Ceni mostrou que tem. Portanto, que o São Paulo o ajude a aprimorar o principal defeito: a gestão do grupo.
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