António Oliveira terminou o Brasileirão 2023 em 12º lugar com o Cuiabá. Foto: Cuiabá
Marcada por uma coleção de erros em 36 dias de trabalho, a nova diretoria do Corinthians acerta ao encaminhar a contratação do técnico português António Oliveira. Meu primeiro argumento para justificar esta opinião é o rompimento com o legado de Duílio Monteiro Alves. Não considero Mano Menezes um mau treinador, longe disso, mas o presidente recém-empossado Augusto Melo precisava iniciar o mandato com personalidade. Na prática, isso significa, entre outras decisões, apontar o dono da prancheta alvinegra.
O segundo argumento para considerar um acerto é a ruptura com o sebastianismo. De 2009 para cá, o Corinthians ficou refém de treinadores históricos. Mano Menezes e Tite eram sempre os nomes da vez. Ambos chegaram a se revezar. Mano ficou de 2008 a 2010. Tite do fim de 2010 a 2013. Mano Menezes voltou em 2014. Tite reassumiu de 2015 até a metade de 2016. No ano passado, o clube ressuscitou Vanderlei Luxemburgo, o técnico do título brasileiro de 1998. Demitido, ele foi substituído por quem? Mano Menezes!
O Corinthians também acerta porque opta por um técnico estrangeiro conhecedor da insanidade do calendário brasileiro. António Oliveira passou por Athletico-PR, Coritiba, Cuiabá e foi assistente do compatriota Jesualdo Ferreira no Santos. Conhece bem o país. Teve êxito ao manter o Cuiabá na primeira divisão em 2023. Cruzou a linha de chegada em 12º lugar. Um pontinho à frente do… Corinthians. Levou o time à Copa Sul-Americana. Fez mais pontos do que camisas pesadas como Cruzeiro, Vasco, Bahia e Santos.
António Oliveira tem experiência com divisões de base. Trabalhou no Benfica B. O Timão acaba de conquistar a Copa São Paulo de Futebol Júnior. As joias do elenco comandado por Danilo no torneio demandam sensibilidade para serem pinçadas e alçadas ao elenco profissional. Jovens como os goleiros Carlos Miguel e Matheus Donelli, João Pedro, Arthur Sousa, Giovane, Yuri Alberto e outros talentos precisam de confiança.
Um quesito importante na escolha é a maleabilidade tática. O português varia sistemas. O 4-3-3 foi o modelo adotado na maior parte do tempo, mas houve mudanças para o 5-3-2, o 3-4-2-1, 3-4-3, 5-4-1, 4-1-4-1 e o 4-2-3-1 no Cuiabá. Arma o time de acordo com o rival. Um detalhe: centroavante com ele faz gol. Deyverson balançou a rede 12 vezes no Brasileirão.
António Oliveira tem contra si a impaciência do Corinthians. Apostas como ele tiveram vida curta no cargo. Sylvinho ficou 251 dias no cargo. Demitido, se mandou para a Albânia e classificou o país para a Euro-2024. Fernando Lázaro se manteve 151 dias no emprego. Portanto, fechar a temporada no Corinthians pode significar o milagre de “Santo António”.
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