Olimpíada de Tóquio: Como Pia reduziu a média de idade do Brasil em 3 anos e quase venceu a Holanda

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Tenho batido na tecla da média de idade do elenco convocado por Pia Sundhage desde a convocação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, e a excelente técnica sueca deu mostras no ótimo empate por 3 x 3 com a atual vice-campeão mundial Holanda que a faixa etária do grupo também a preocupa. Para sorte do Brasil, Pia é diferenciada. Tem estratégia para lidar com o esgotamento físico de peças-chave da Seleção como a volante Formiga e a rainha Marta.

O Brasil mais uma vez começou a partida com sete jogadoras acima dos 30 anos: Bárbara, Bruna Benites, Érika, Rafaelle, Tamires, Formiga e Marta. A média de idade era de 31,3 anos no início da partida. Vai ser quase sempre assim. São as mulheres experientes, de confiança da Pia. No entanto, é impossível manter a intensidade em um jogo de alto nível com todas elas em campo. Formiga e Marta, principalmente, se sacrificam bastante em nome do futebol coletivo. Logo, o cansaço das duas é inevitável.

O que fez Pia? Terminou a partida contra a Holanda com um sistema defensivo experiente, ou seja, todas as jogadoras na casa dos 30 anos; e rejuvenesceu a formação nos outros dois setores. Do meio de campo para frente, o Brasil terminou com: Angelina (21 anos), Andressinha (26), Andressa Alves (28), Geyse (23), Ludmila (26) e Debinha (29). Para mim, é estratégia. A média do time caiu para 28,3 anos.

A entrada de Ludmila foi fundamental. A jogadora do Atlético de Madrid vem pedindo passagem desde a Copa do Mundo da França. A velocidade dela quase deu a vitória ao Brasil. A Seleção só não triunfou porque Janssen marcou um belíssimo gol de falta.

  • Média de idade do Brasil no início do jogo: 31,3 anos
  • Média de idade do Brasil no fim do jogo: 28,3 anos
  • Média de idade das seleções medalhistas de Pia
  • Estados Unidos – 25,6 anos em Pequim-2008 e 28 em Londres-2012
  • Suécia – 27,6 anos na Rio-2016

Os trabalhos de Pia Sundhage e Tite têm um mantra em comum. Ambos falam sempre em força mental e os comandados repetem o discurso nas entrevistas. A inteligência emocional nunca foi tão determinante no esporte. Assim como o talento e o senso de coletividade, será um diferencial em Tóquio.

Faltaram força mental e estratégia aos homens do Brasil na final da Copa América depois de sofrer o primeiro gol da Argentina. Em contrapartida, força mental e estratégia foram pontos fortes das mulheres no empate por 3 x 3 com a Holanda. É, sim, um baita resultado.

A badalada Holanda continua sem vencer o Brasil. Lidera a chave no saldo de gols (13 x 8) porque já enfrentou a aprendiz Zâmbia, seleção mais fraca do grupo. A Seleção enfrentará as africanas na última rodada e as holandesas terão pela frente a China. Pouco provável, mas ainda é possível que Marta e companhia tirem a diferença e terminem na primeira posição.

O primeiro lugar seria importantíssimo para o Brasil. Se a fase de grupos terminasse hoje, o Brasil teria pela frente o segundo do Grupo E. Atualmente, o Canadá. Não seria um jogo fácil. A outra possibilidade é a Grã-Bretanha. Outra pedreira. Se avançar em primeiro, enfrentará o terceiro colocado do G. A posição é ocupada, hoje, pela Austrália.

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Marcos Paulo Lima

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