Jorge Sampaoli tem o desafio de encerrar abstinência pessoal de títulos. Foto: Pedro Souza/Atlético
Jorge Sampaoli não conquista título desde 2020. O último foi justamente no Atlético: o Estadual. O técnico argentino de 65 anos pede muito e entrega pouco. Tem compulsão por reforços para montar times autorais que nem sempre saem do papel.
Quando o plano pessoal fracassa, os jogadores adquiridos a rodo para um modelo exclusivo ficam para um sucessor não necessariamente engajado com os conceitos de jogo dele. A diretoria alvinegra sabia disso. Tanto que o levou de volta para a Cidade do Galo e está novamente refém da compulsão do treinador por reforços.
Insaciável nas compras — e nos conflitos pessoais — com ídolos, Jorge Sampaoli arrastou para o Flamengo indiferenças com Arturo Vidal do tempo em que trabalharam juntos no Chile. O meia deixou o time rubro-negro criticando o desafeto. “Me sinto muito feliz de jogar. Sempre estive preparado. Somente tive um treinador, um perdedor que não sabe apreciar os jogadores. Mas ficou para trás”, ironizou ao se transferir para o Athletico-PR.
No mesmo Flamengo, Jorge Sampaoli teve relação desgastada com Pedro. O centroavante havia sido símbolo das conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores com Dorival Júnior em 2022, inclusive eleito Rei da América, mas o técnico não somente fritou o camisa 9 como não o defendeu como deveria quando o preparador físico dele, Pablo Fernández, deu um soco no jogador. O Flamengo demitiu o agressor, que voltou a trabalhar com Sampaoli.
O treinador conseguiu ter Lionel Messi como desafeto quando comandou a Argentina na Copa do Mundo da Rússia em 2018. O jornalista Ariel Senosiain conta bastidores do ambiente conturbado daquela seleção no livro Histórias da Copa — Crônicas de Ontem.
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Os donos da SAF do Atlético parecem ignorar o passado de Jorge Sampaoli no Galo, inclusive na relação com o ídolo Eder Aleixo, os últimos trabalhos e o presente do treinador na relação com Hulk. Está cada vez mais claro que o treinador argentino não deseja trabalhar com um dos maiores ídolos da história do clube. Não há sinalização de Sampaoli para a diretoria de que precisa dele entre os titulares. Ao que parece, o banco está reservado ao jogador desejado pelo Fluminense.
O Atlético tem cinco jogadores acertados para a nova temporada: Renan Lodi, Maycon, Victor Hugo, Alan Minda e Angelo Preciado. Jorge Sampaoli está satisfeito? Não! Cobra da um meia e um centroavante de um dos clubes mais endividados do país. “A diretoria sabe os nomes”.
A torcida quer saber quais títulos conquistará com esses reforços em 2026. O Mineiro novamente, como em 2020? O último grande título de Sampaoli é a Copa Sul-Americana de 2011 pela Universidad de Chile. Ele poderia ter repetido o feito com o Atlético no ano passado, mas amargou o vice diante de um Lanús muito mais barato do que o Galo. Em 2023, fracassou com o Flamengo na decisão da Copa do Brasil contra o São Paulo.
A menos que a varinha de condão de Jorge Sampaoli volte a funcionar como na histórica passagem pela seleção do Chile na boa campanha na Copa de 2014 ao eliminar a Espanha na fase de grupos e quase desbancar o anfitrião Brasil nas oitavas de final; e na conquista da Copa América de 2015 nos pênaltis contra a Argentina; os sinais dos últimos trabalhos do técnico alertam o Atlético para o risco de caos, sobretudo tendo o arquirrival Cruzeiro estruturado e reforçado sob o comando de Tite. Vale no mínimo a reflexão sobre o custo de vender a alma a Jorge Sampaoli.
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