Mario Balotelli não quis arriscar jogar no Brasil e ficar fora da Euro-2020. Foto: Instagram/Brescia
A negativa de Balotelli ao Flamengo — e o acerto com o Brescia — não é somente questão de grana ou carinho pela cidade em que ele nasceu. Há argumentos esportivos. Não se esqueça: tem Euro-2020 ao fim desta temporada. Se não fosse isso, a probabilidade de êxito do clube carioca aumentaria.
Vou explicar….
Sabe quantas vezes a Itália levou jogador empregado fora da Europa para torneios de altíssimo nível como a Eurocopa ou a Copa do Mundo? Levantei e já te conto.
Na história da Squadra Azzurra, Roberto Donadoni é o único jogador que trabalhava fora da Europa quando foi lembrado pela seleção. Atuava no New York/New Jersey MetroStars da Major League Soccer, em 1996. O treinador Arrigo Sacchi ignorou a qualidade do torneio e a idade. Donadoni tinha 33 anos. O futebol jogado no Milan pouco antes do embarque rumo aos Estados Unidos ampliou a confiança do técnico da Itália para levá-lo ao torneio na Inglaterra.
Donadoni é exceção. Único caso na história da seleção italiana. O preconceito com as ligas de fora da Europa até quebrou resistências neste século. Antônio Conti chegou a convocar Andreas Pirlo para as Eliminatórias da Euro-2016 na época em que o meia era astro da MLS. Investiu ainda no meia-atacante Sebastian Giovinco. Atuam comandante da Itália, Roberto Mancini também chamou Giovinco depois de o jogador comer a bola na conquista do Toronto FC.
Na história da seleção italiana, apenas um jogador empregado fora da Europa foi convocado para a Eurocopa: Roberto Donadoni atuava no MetroStars dos Estados Unidos quando foi chamado pelo treinador Arrigo Sacchi para a edição de 1996 do torneio continental
El-Sharaawy, o pequeno faraó, decidiu recentemente desafiar a resistência das principais seleções do mundo a jogadores em atividade nas ligas periféricas do futebol mundial. Trocou a Roma pelo Shangai Shenhua da China nesta janela de transferências. Além dele, Giovinco partiu do Toronto FC para o Al-Hilal da Arábia Saudita. El-Shaarawy foi chamado três vezes por Roberto Mancini. Amargou o banco de reservas. Mancini chamou Giovinco duas vezes e ele sequer ficou no banco.
O estafe de Mario Balotelli deve desconhecer a rara convocação de Donadoni para a Euro-1996 quando o meia defendia o MetroStars, mas provavelmente não quis colocá-lo em uma liga distante da Europa. É óbvio que o atacante teria muita visibilidade no Brasileirão e na Libertadores com a camisa do Flamengo. Porém, é bom lembrar que a convocação final para a Euro-2020 será pouco depois do fim dos nossos campeonatos estaduais. Portanto, como justificar a inclusão de Balotelli na lista final?
Balotelli tem cinco convocações, três presenças em campo e um gol pela Itália na era Roberto Mancini. Logo, há perspectiva de participar do torneio continental defendendo o Brescia. Em contrapartida, El-Shaarawy na China e Giovinco na Arábia Saudita são cada vez mais cartas fora do baralho. Cada vez menos candidatos a repetir o feito de Roberto Donadoni em 1996.
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