Marcação forte, transição rápida: dos 10 gols do Cruzeiro no hexa, 4 foram em contra-ataque. Foto: Cruzeiro
Guardadas as devidas proporções, o Cruzeiro é, hoje, uma espécie de França do futebol brasileiro. A atual campeã mundial também veste azul, não arranca elogios, suspiros, ignora quem cobra futebol bonito, dá de ombros para a obsessão quase generalizada pela posse de bola — 29% na final —, tem um estilão baseado no pragmatismo, na organização defensiva e nos contra-ataques cirúrgicos, não se envergonha disso e, em vez de divertir, de fazer graça para os outros rirem, escolhe deixar títulos como legado — não jogar bem.
A França bicampeã na Rússia sob a batuta de Didier Deschamps tinha um goleiraço, Lloris. O Cruzeiro conta com Fábio. A defesa dos Bleus é liderada pelo excelente Varane. O ótimo Dedé comanda a retaguarda celeste. O volante Henrique é uma espécie de Kanté do meio de campo. Impõe um respeito danado. Barcos só não pode ser totalmente comparado a Giroud porque faz os golzinhos dele. Foi decisivo na campanha do hexa. Quando passou em branco, acabou blindado pelos meias Thiago Neves, Robinho, Rafinha e o iluminadíssimo De Arrascaeta.
Didier Deschamps contava, na Rússia, com um baita material humano para dar um pouquinho de espetáculo na Copa. Pogba, Mbappé, Griezmann e Dembélé, por exemplo, são acima da média. Porém, ele preferiu jogar praticamente uma Copa do Mundo inteira com o freio de mão puxado. Assim, desbancou Argentina, Uruguai, Bélgica e Croácia na fase de mata-mata.
Mano Menezes também administra um elenco caro. Investiu para ser tricampeão da Libertadores e fecha o ano bi da Copa do Brasil. Ostenta um dos vestiários mais badalados do país, ao lado do Palmeiras e do Flamengo. Embora tenha eliminado Atletico-PR Santos, Palmeiras e Corinthians na fase de mata-mata, evitou afundar o pé no acelerador. Sofreu muito mais do que deveria. Na decisão do título, por exemplo. Totalmente sem necessidade.
O jeitinho francês de conquistar a Copa do Brasil funcionou pelo segundo ano consecutivo, mas falhou na prioridade da temporada. O hexa amortiza, mas não quita a dívida de Mano Menezes com a torcida depois da eliminação diante do Boca Juniors nas quartas de final da Libertadores. Mano é vitorioso, sim, mas precisa começar a sair um pouco da caixinha no Cruzeiro, ou seja, provar a capacidade de reinvenção.
Talvez, o trauma de ter tentado se soltar no início do trabalho à frente da Seleção e a injusta demissão por telefone o fizeram retroceder, ou seja, não mais abrir mão das próprias convicções para agradar a terceiros.
Durante a comemoração do título, Mano até desabafou contra a intolerância ao ser lembrado de que é o primeiro técnico a levar um time ao bi consecutivo da Copa do Brasil. “Pois é, me deixa quieto com o meu jeito defensivo. Há várias maneiras de ser competitivo e de ganhar títulos. Eu respeito todas elas”, respondeu.
Goste você ou não, a receita do Mano Menezes é essa que acaba de consumar o Cruzeiro hexa: mata-mata não se joga, se ganha. E ele, agora, é tricampeão da Copa do Brasil, um título atrás do recordista Luiz Felipe Scolari. Simples assim. Detalhe: o cara chegou seis vezes entre os quatro. Em uma delas, com o 15 de Novembro de Campo Bom! Não é o estilo que me agrada, mas respeito.
Parabéns, Cruzeiro. Parabéns, Mano!
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