O deslize de Fernando Lázaro na derrota do Corinthians para um Remo que tem bom técnico

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Paulinho foi uma das marchas lentas do Corinthians no clássico contra o Botafogo-SP. Foto: Divulgação

Fernando Lázaro tem no currículo experiências como analista de desempenho e observador técnico. Na Copa do Mundo, seria um dos responsáveis por espionar os adversários do Brasil para o técnico Tite. Renunciou à missão para assumir o Corinthians. O jovem treinador falhou na noite desta quarta-feira justamente em um assunto dominado por ele: o olhar minucioso para quem é o comandante do Remo, protagonista da vitória por 2 x 0 no Mangueirão, em Belém.

Marcelo Cabo praticamente a mesma origem de Fernando Lázaro. Foi observador técnico de Dunga e Jorginho na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. A carreira solo tem conquistas relevantes. Em 2016, levou o Atlético-GO ao título da Série B do Campeonato Brasileiro. Não conseguiu se firmar no Vasco, mas acumula bons trabalhos em times de menor investimento.

O Remo é um desses casos. Embora esteja na Série C do Campeonato Brasileiro, o time paraense tem técnico. Portanto, poupar talentos contra o Leão, no Mangueirão, tinha tudo para ser arriscado. Quem já não contava com o lesionado Renato Augusto não poderia abrir mão também do atacante Roger Guedes. Aos meus olhos, ambos são os melhores do Timão na temporada.

O treinador alvinegro escolheu guardar o melhor para depois, ou seja, a estreia no Brasileirão contra o Cruzeiro, no domingo, em Itaquera, e mudou de ideia no decorrer da partida quando o prejuízo ameaçava ficar pior do que estava. Roger Guedes voltou para a etapa final no lugar de Pedro. Além dele, entraram Fágner, Vera, Barletta e Matheus Araújo nas vagas de Adson, Giuliano, Maycon e Paulinho. Reparou a coincidência?

As cinco alterações foram no meio de campo do sistema tático configurado no 4-1-4-1. Todos os homens do setor de criação saíram devido a um problema quase incorrigível: a lentidão do setor. Marcelo Cabo sabe disso e não deu paz aos homens do setor marcação e criação das jogadas.

Simples, mas organizado, o modesto 4-4-2 de Marcelo Cabo se impôs diante de um meio de campo alvinegro em marcha lenta. O time paraense venceu por 2 x 0, porém poderia ter sido três. Complicaria ainda mais a situação de um Corinthians inerte para esboçar reação diante de um gol de Richard Franco e outro do veterano Muriqui.

Comodismo inadmissível da parte de um time que entrou em campo com média de idade de 28,3, dois anos mais velho do que um Remo na faixa de 30,9. O resultado é perigoso. O Corinthians precisa no mínimo devolver os 2 x 0 na Neo Química Arena e forçar a decisão por pênaltis. De três para cima avançará direto e sem escalas às oitavas de final.

É possível protagonizar a virada porque se trata de um Corinthians mandante na volta turbinado pela Fiel. Em tese, o ambiente hostil deve intimidar o Remo. Só não dá para cravar porque esse mesmo Corinthians foi despachado pelo Ituano nas quartas de final do Paulistão. Mais um detalhe: o duelo de volta contra o Remo será no próximo dia 26, três dias antes do clássico paulista contra o Palmeiras, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro. Em circunstâncias normais de temperatura e pressão, o time titular seria poupado contra o Remo em nome da forca máxima no dérbi. Agora, isso é inviável.

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Marcos Paulo Lima

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