Nossa língua portuguesa na Copa Africana

Compartilhe

Nunca antes na história da Copa Africana de Nações, um país de língua portuguesa conquistou o torneio. Provavelmente, não vai dessa vez, mas a edição de 2017 começou com uma surpresa protagonizada por Guiné-Bissau — único país que fala o idioma de Camões entre os 16 candidatos ao título. Na abertura da competição, que completa 60 anos em 2017, os estreantes arrancaram empate por 1 x 1 com o anfitrião Gabão, do badalado Aubameyang.

Guiné-Bissau ocupa a posição 68 no ranking da Fifa. A melhor campanha do país em um torneio foi o vice-campeonato na Copa Amílcar Cabral de 1983. Perdeu o título para o Senegal, por 3 x 0, na Mauritânia. O bacana na primeira participação dos Djurtus (cachorros) no torneio é não ter vergonha de ser diferente. A maioria das seleções é comandada por treinadores estrangeiros. Guine-Bissau, não. Aposta no santo de casa, Baciro Candré, 68 anos. ele é o responsável por uma evolução que deve ser pensada a longo prazo.

Guiné-Bissau conseguiu desbancar Zâmbia, Congo e Quênia nas Eliminatórias para a Copa Africana. Um feito e tanto. Não é pouco. Sonhar com o título na primeira participação, sim, é demais. O projeto deve ser a classificação para a Copa do Mundo de 2026. Com o aumento para 48 países, Guiné-Bissau tem o direito de sonhar. Depois de Brasil, de Portugal e de Angola, Guiné-Bissau seria o quarto país de língua portuguesa a disputar a Copa do Mundo.

A seleção atual tem três jogadores que se destacam em um elenco bem fraco tecnicamente: o meia Zezinho, revelado pelo Sporting, de Portugal, e atualmente defende o Levakiakos, da Grécia; Fréderic Mendy, empregado no Jeju United, da Coreia do Sul; e o capitão Bocundji Ca, desempregado. Há um caso curioso. Saná Camará chegou a ser um dos destaques de Portugal no Mundial Sub-20 de 2011, mas preferiu defender Guiné-Bissau quando virou profissional. Junior Fernández, com passagem pelo Everton, da Inglaterra, e Toni Silva, que trabalhou no Liverpool, são trunfos na estreia em Copas Africanas.

Neste sábado, o herói não foi nenhum deles. Juary Soares impediu a vitória do Gabão com um gol nos acréscimos do segundo tempo. Uma merecidíssima festa para uma seleção estreante.

Marcos Paulo Lima

Posts recentes

  • Esporte

Guia da 9ª rodada do Brasileirão 2026: análises, palpites e onde ver

Brasileirão – Série A 2026  Prévia jogo a jogo da #rodada 9   Botafogo x…

5 horas atrás
  • Esporte

Candangão: “Rei do Rebaixamento” é condenado a 13 anos por manipulação

Manipulador confesso ao usar o Santa Maria para adulterar resultados no Campeonato do Distrito Federal…

7 horas atrás
  • Esporte

Brasil 3 x 1 Croácia: Danilo e candangos rasuram lista de Ancelotti

Carlo Ancelotti disse na segunda-feira que estava com a lista final dos 26 convocados para…

9 horas atrás
  • Esporte

Copa não terá os 8 campeões mundiais pela 5ª vez no século 21

A escrita continua. Pela terceira edição consecutiva, a Copa do Mundo não reunirá as oito…

24 horas atrás
  • Esporte

A escola italiana e o ‘modus operandi’ de Ancelotti para moldar a zaga

  Mera coincidência? As escolhas da maioria dos defensores de Carlo Ancelotti têm uma característica…

1 dia atrás
  • Esporte

Gama chega à Série D como um dos três times invictos no Brasil em 2026

A vitória do Gama contra o Cuiabá na noite de sábado pela segunda rodada da…

3 dias atrás