Brazil v Norway: Round of 16 - FIFA World Cup 2026 Artilheiro do Brasil na Copa com 4 gols, Vini vê a festa da Noruega. Foto: Buda Mendes/Getty Images/AFP Artilheiro do Brasil na Copa com 4 gols, Vini vê a festa da Noruega. Foto: Buda Mendes/Getty Images/AFP

Noruega elimina Brasil porque tem 9, 10 e explorou caos tático de Ancelotti

Publicado em Esporte

O Brasil está eliminado da Copa do Mundo pela sexta edição consecutiva. Depois da França (2006), da Holanda (2010), da Alemanha (2014), da Bélgica (2018) e da Croácia (2022), a Noruega é o carrasco da vez. Haaland foi a diferença exata do que faltou ao Brasil: precisão na finalização. Falou capricho de Vini na defesa de joelho de Nyland. Bruno Guimarães perdeu pênalti. Endrick falhou na cara do gol depois de um belo lançamento de Vini na etapa final. Casemiro se perdeu quando se deparou sozinho com o gol à frente. Quando Neymar converteu a segunda penalidade no melancólico ato final em quatro mundiais, era tarde. Em 23 minutos, fez gol, brigou com o goleiro, criou caso com Odegaard e recebeu amarelo.

 

Haaland precisou de praticamente duas bolas para ensinar ao Brasil como Careca, Romário e Ronaldo faziam. Na primeira, venceu o duelo com Gabriel Magalhães pelo alto e cabeceou firme. Indefensável para Alisson. O goleiro fazia o melhor jogo em Copas. Pelo menos duas defesas difíceis em finalizações dos vikings. Mas era o amigo Nyland quem ganhava moral.

 

O goleiro da Noruega colecionava defesas. Combatia até fogo amigo. Evitou gol contra de cobertura com a ponta dos dedos e ainda contou com a ajuda da trave. Casemiro teve outra oportunidade ao invadir a área pela esquerda. Até agora não entendi o que ele tentou fazer…

 

A substituição errada de Rayan virou a senha para a vitória da Noruega. O garoto auxiliava Danilo na marcação. Sem ele, cresceu o futebol de Andreas Schjelderup. O ponta-esquerda do Benfica entregou o que Nusa não conseguiu na primeira etapa: duas assistências para Haaland acabar com o jogo em um MetLife Stadium tomado de torcedores brasileiros incrédulos diante de um Brasil apequenado com 34% de posse de bola contra 66% do rival.

 

A Seleção não caía nas oitavas de final desde a Copa de 1990, quando perdeu por 1 x 0 para a Argentina em Turim, na Itália. Aquele passe de Diego Maradona para Caniggia. Sebastião Lazaroni era o técnico daquele fracasso igualado por Carlo Ancelotti, o primeiro treinador importado em 23 participações do Brasil na Copa do Mundo. Pior, somente a queda na fase de grupos da Copa de 1966 sob a batuta de Vicente Feola, campeão em 1958.

 

A eliminação do Brasil pune o ciclo mais bagunçado da história. Depois do fim da Era Tite, passaram pelo cargo Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. O italiano tentou resolver a toque de caixa como Luiz Felipe Scolari, em situação semelhante na campanha do penta, em 2002, mas não conseguiu.

 

Felipão tinha Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva… Ancelotti tentou se virar com sobrinhos de Neymar. Totalmente dependentes do tio. Se fosse permitido, os 11 em campo pediriam a entrada do camisa 10 em campo para bater o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães. A Seleção não tinha cobrador de falta, escanteio e de pênalti na Copa. Um absurdo! Estamos falando de Seleção. Escanteios e faltas não levaram perigo aos gols do Marrocos, Haiti, Escócia, Japão e muito menos da gigante Noruega.

 

Ancelotti errou escolhas na estreia contra Marrocos. Ajustou o time contra os frágeis Haiti e Escócia. Virou na marra contra o Japão. Mas a Noruega não se intimidou. Teve 66% de posse da bola e encurralou o Brasil em diversos trechos do jogo. Quando a Seleção teve o contra-ataque, foi castigado pela carência de um centroavante fora de série. Endrick se atrapalhou na frente do goleiro.

 

A Noruega venceu porque ostenta o que o Brasil deixou de formar: um 9 como Haaland e um camisa 10 controlador do jogo. Nesta eliminação foi Odegaard. Antes dele, Modric em 2022, De Bruyne em 2018, Toni Kroos em 2014, Wesley Sneijder em 2010 e Zidane em 2006. Todos meias de altíssimo nível. Nesta Copa, Ancelotti improvisou Bruno Guimarães de 10 e ele até entregou quatro assistências contra Marrocos, Haiti, Escócia e Japão.

 

A Noruega coloca ponto final em uma geração enganosa do Brasil. Neymar, Danilo, Alex Sandro, Casemiro e outros que ficaram pelo caminho surgiram conquistando o Sul-Americano Sub-20 no Peru e a Copa do Mundo da categoria na Colômbia, ambas em 2011.

 

Neymar disputou quatro Copas e não realizou o sonho do hexa. Os legados do jogador eleito duas vezes número 3 do mundo são o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e a Copa das Confederações em 2013. Pouco para quem não ganhou sequer a Copa América em 2019. Para variar, ele estava lesionado. A relação com a amarelinha iniciada no MetLife Stadium, em 10 de agosto de 2010, termina no mesmo endereço em 5 de julho de 2026.

 

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