Neymar, Raphinha e as merecidas doses de caipirinha do Tite depois de golear o Uruguai

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Perguntei ao Tite na entrevista coletiva depois da bela goleada por 4 x 1 sobre o Uruguai na Arena da Amazônia, em Manaus, se a exibição era digna de uma caipirinha, bebida preferida do técnico da Seleção Brasileira para saborear grandes resultados pessoais como o título da Libertadores e do Mundial de Clubes da Fifa no Corinthians, em 2012, contra Boca Juniors e Chelsea; e a conquista da Copa América em 2019. A resposta foi divertida. Mostrou um Adenor relaxado em meio a pressão de levar o Brasil ao hexa na Copa do Qatar-2022.

“Quando jogava jogo no Sul, me davam de presente a caipirinha para curtir. Quero curtir com minha esposa, com minha filha, com meus netos, minha nora. Ficar em um momento de paz. E tomar sim. Talvez duas. Mas vou ficar em casa, não vou dirigir”, respondeu Tite ao blog, satisfeito com a Seleção pela primeira vez desde a derrota para a Argentina, no Maracanã, em julho deste ano, na decisão da Copa América.

Tite estava leve porque definitivamente achou outra boa alternativa para uma posição muito carente desde que ele assumiu a Seleção Brasileira em 2016: a ponta direita. De lá para cá passaram por aquele setor Willian, Philippe Coutinho, Douglas Costa, David Neres, Everton Cebolinha, Richarlison, Gabriel Jesus e Everton Ribeiro, mas nenhum deles se apoderou daquela fatia do campo. É cedo para dizer que Raphinha tomou conta do pedaço, mas ele mostrou personalidade. Tem dois gols e duas assistências em três jogos. É muito!

Muito para nós, não para o Tite. Ele continua pedindo cautela na euforia com Raphinha. “É um processo. A gente tem discernimento, tem constatação da grande atuação sim. Mas senão daqui a pouco a gente acha que é o pico da montanha. Vai oscilar. É normal. É jovem. Fez grande jogo, mas tem que ter bom senso e serenidade nas avaliações”, ponderou.

Abordei outro dia aqui no blog, mas não custa repetir. Raphinha está na Seleção porque o técnico argentino Marcelo Bielsa teve olhos de lince. Foi ele quem pediu ao Leeds United o pagamento de 25 milhões de euros para tirar Raphinha do Rennes da França. O atacante gaúcho de 24 anos chamou mais atenção de Tite na Premier League do que na Ligue 1. Foi convocado pela primeira vez na Data Fifa de setembro, não se apresentou porque os clubes ingleses impediram, mas aproveitou os três jogos de fama contra Venezuela, Colômbia e Argentina e tornou-se a melhor notícia da série de três jogos de outubro.

Tite, inclusive, mencionou o colega de profissão. “Agradecer o Marcelo Bielsa, o radar que tivemos, nesse acompanhamento, confirmado na sequência, em conversa com Bielsa. Fica o meu agradecimento público. Assim como a outros técnicos, mas nesse caso específico (ao Marcelo Bielsa)”, disse.

A primeira dose de caipirinha do Tite é para Raphinha. A segunda, certamente de Neymar. O camisa 10 mostrou a si mesmo que basta jogar muita bola para ser mais respeitado. Deu prazer vê-lo atuar no papel de maestro da Seleção. Ficou menos sobrecarregado. Mais do que gol, o fora de série se divertiu jogando bola e entreteve quem estava na Arena da Amazônia ou sentado na poltrona de casa.

“Foi grande jogo, teve solidez. Futebol é relação de conjunto, peso, contrapeso. Foi grande jogo sim. Serve como avaliação de um aberto, externo, com Paquetá, Neymar e Alex Sandro mais entrosados no setor esquerdo. Neymar com liberdade habitual no processo criativo. Às vezes o jogo permite. Fred saindo um pouco mais, para fazer pressão e recomposição. A gente vai reestruturando, criando solidez”, elogiou Tite.

Só não vai rolar a terceira dose de caipirinha porque Tite precisa manter-se sóbrio para resgatar Gabriel Jesus. O camisa 9 preferido dele desde que assumiu o cargo não marca há 15 jogos com a camisa da Seleção. O último foi na decisão da Copa América de 2019 contra o Peru, no Maracanã. Por que Pep Guardiola consegue extrair o máximo de Jesus no Manchester City e Tite não? Jesus está sendo sacrificado taticamente? Ele teve pelo menos uma chance clara para marcar e errou. Passou a Copa da Rússia inteira sem balançar a rede. Será assim também no Qatar? Mas isso é assunto para depois do merecido porre do Tite após o triunfo contra o Uruguai.

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Marcos Paulo Lima

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