Os quatro treinadores brasileiros da nova geração que conseguiram domar o Flamengo.
O Flamengo perdeu apenas 9 dos 63 pontos disputados sob a batuta de Jorge Jesus no Campeonato Brasileiro: empates com Goiás (2 x 2), São Paulo (0 x 0) e Corinthians (1 x 1); e derrota para o Bahia (0 x 3). Aproveitamento incrível de 86%. Estilos diferentes, estratégias distintas de quatro jovens profissionais — Ney Franco, Fábio Carille, Roger Machado e Fernando Diniz — conseguiram pararam o melhor time da Série A.
Ao elevar o nível técnico do futebol rubro-negro, o português desafia os treinadores do futebol nacional a fundirem a cuca para detê-lo. Isso é ótimo. Quem estuda, perde noites de sono e se debruça mais sobre os mínimos detalhes desse excelente trabalho do senhor lusitano de 65 anos leva alguma vantagem no confronto direto. Que a “nação”não se engane: Marcelo Gallardo, do River Plate, também escaneia cada movimentação do timaço carioca antes da final da Libertadores. E pode, sim, se inspirar em um dos quatro profissionais brasileiros que ousaram traçar um plano para frear Jorge Jesus.
Ney Franco volta e meia é chamado de “professor pardal”. Discordo. Acho um bom profissional. Um cara muito estudioso. Detalhista. Às vezes, se perde, inventa moda, mas o currículo dele exige um pouquinho de respeito. Brilhou ao brindar o Flamengo com a Copa do Brasil 2006 contra o arquirrival Vasco. É o mentor da última conquista do São Paulo, a Copa Sul-Americana 2012. O Brasil não ganha o Sul-Americano e o Mundial Sub-20 desde o competente trabalho de Ney Franco em 2011 à frente da geração de Neymar e Philippe Coutinho. Portanto, a ótima campanha do Goiás no segundo turno tem o tempero do técnico do profissional de 53 anos. Levando em conta a classificação na segunda metade do Brasileirão, o alviverde é o quarto colocado, atrás de Flamengo, Palmeiras e Grêmio.
O mineiro de Vargem Alegre tirou o Flamengo da zona de conforto no Serra Dourada. Quebrou a linha de passes. Fez o Goiás jogar no limite para evitar erros bobos nas proximidades da área. Apostou na saída de bola do zagueiro Rafael Vaz. Quando quer, o beque joga muita bola e erra poucos passes. Ney também obrigou o adversário a recorrer ao repertório da bola parada nas duas cobranças de escanteio muito bem ensaiadas que terminaram com os gols de Gabriel Barbosa e de Rodrigo Caio. Fez com Michael o que Renato Gaúcho tentou, mas não conseguiu com Everton Cebolinha nas semifinais da Libertadores: usar o jogador mais veloz e driblador do time para infernizar a defesa rubro-negra.
Ney Franco conseguiu deixar o exclente Michael no mano a mano contra a retaguarda do Flamengo e tirou proveito disso. O lance do primeiro gol esmeraldino lembra muito aquele lance em que Everton Cebolinha encara os beques do Flamengo, cruza para Maicon, e o volante desperdiça a melhor oportunidade tricolor nas semifinais da Libertadores. Filipe Luís amortece a finalização a tempo, e Diego Alves surge como anjo da guarda para segurar a bola. A jogada do Goiás é idêntica, porém, tem final feliz. O carrasco Rafael Moura tocou para o fundo da rede.
A forma como Ney Franco montou o Goiás precisa ser estudada com carinho. A dos outros três treinadores que tiraram pontos de Jorge Jesus também. Fernando Diniz é quem mais fugiu do seu estilo ao arrancar 0 x 0 no Maracanã e quebrar a série de oito vitórias consecutivas do líder à época. Mais do que isso: o tricolor paulista é o único time a tirar pontos da equipe rubro-negra dentro do Maracanã — o Fluminense era mandante no clássico em campo neutro do primeiro turno.
No país em que técnico recém-contratado tem mania de recusar-se ir a campo no jogo de estreia e acompanhar tudo lá na tribuna de honra para não se expor, Fernando Diniz mostrou-se mais uma vez diferenciado. Corajoso, liderou o São Paulo dentro das quatro linhas. Não tinha muito que fazer em um dia de trabalho depois de aceitar suceder Cuca. Entretanto, teve a virtude de apresentar solução simples e imediata para um duelo dificílimo contra o Flamengo. Contou ainda com exibição inspirada do goleiro Tiago Volpi.
O Diniz que conhecemos do Audax-SP, do Athletico-PR e do Fluminense é o da posse de bola, da ousadia, ofensivo. O Flamengo terminou o duelo com 62% de posse contra 32% do São Paulo. Finalizou 18 vezes contra 8 do adversário.
O treinador do São Paulo conseguiu controlar a velocidade do Flamengo. Algumas vezes, recorrendo ao antijogo. Impediu o alucinante ritmo rubro-negro. O time de Jorge Jesus lembra aquele pugilista que entra em campo para nocautear o adversário no primeiro assalto. Quando o golpe não entra, a pressão aumenta e pode até irritá-lo, desestabilizá-lo.
Em agosto, Roger Machado levou o Bahia à vitória por 3 x 0 na Arena Fonte Nova explorando os desajustes nas laterais do Flamengo. Era o início do trabalho do treinador português. O tricolor colocou Arthur para explorar as costas de Filipe Luís e contou com uma tarde iluminada de Gilberto. Fábio Carille apostou na organização tática, nas linhas justas, para empatar (e quase vencer) por 1 x 1 em Itaquera no primeiro turno. O Flamengo teve mais posse de bola e não infiltrava. Foram apenas três chances de finalizar. Jesus e Carille duelarão novamente neste domingo.
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