Muito além da derrota para o Talleres: São Paulo é uma bomba-relógio

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A derrota do São Paulo para o vice-campeão argentino Talleres, em Córdoba, na primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, é a síntese de um clube indeciso. O tricolor paulista empurra com a barriga posicionamentos definitivos sobre a sequência do trabalho cambaleante do técnico Thiago Carpini e a situação embaraçosa de James Rodríguez.

A conquista da Supercopa do Brasil nos pênaltis contra o Palmeiras foi ponto fora da curva. A eliminação diante do Novorizontino nas quartas de final do Campeonato Paulista é grave. Sim, foi nos pênaltis, mas não atenua o erro cometido naquela partida, no Morumbi.

O São Paulo tem sido porta de ascensão profissional para treinadores jovens. Apostou em Sergio Baresi, investiu em Doriva, deu moral a André Jardine e lançou Rogério Ceni. O limite da paciência foi curto com cada um deles.  Os créditos de Thiago Carpini estão acabando.

O presidente Júlio Casares ficou protegido pelo escudo de Dorival Júnior no ano passado. O trabalho começou a dar certo na Copa do Brasil e blindou o cartola. Thiago Carpini começa a irritar a torcida. Consequentemente, deixa o dirigente tricolor exposto.

Carpini tem dificuldade para se impor em um ninho de cobras. Júlio Casares, Carlos Belmonte. Rui Costa e Muricy Ramalho intimidam decisões do treinador de 39 anos. Dentro das quatro linhas, ele não tem segurança para tomar decisões convictas. Escalar o lateral-direito Rafinha, o meia James Rodriguez e o atacante Lucas Moura virou praticamente sabotagem ao próprio trabalho. Carpini está em um campo minado.

A péssima atuação de James Rodriguez contra o Talleres, as lesões em série de Rafinha, Lucas Moura e Wellington Ratto, o fim do primeiro tempo com um jogador a menos, o momento de indefinição de Carpini, a ausência de Luciano na formação inicial e o espírito de luta do São Paulo até o fim da partida em busca do empate no estádio Mário Kempes são apenas circunstâncias de jogo na estreia tricolor na Libertadores.

Há uma bomba relógio nos bastidores. Dorival Júnior soube domá-la enquanto esteve lá da melhor maneira possível: acalmou os ânimos com o título inédito da Copa do Brasil contra o Flamengo. No entanto, a CBF o contratou para a Seleção e deixou terra arrasada no São Paulo. O padrão de jogo se foi. Hoje, há um bando em campo. Não ficaremos surpresos se essa bomba relógio parar na mão de um técnico experiente capaz de devolver ao Júlio Casares a proteção dada por Dorival Júnior. Há técnicos com tamanho do São Paulo disponíveis no mercado. Três deles, inclusive, com passagem pela Seleção neste século.

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Marcos Paulo Lima

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