Máquinas do tempo: sucessor de Romário há 20 anos no prêmio Fifa de melhor jogador do mundo também virou senador. Lembra dele?

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George Weah: Bola de Ouro e Melhor do Mundo Fifa em 1995

Edson Arantes do Nascimento previu, em 1990, que uma seleção africana seria campeã da Copa. O continente até recebeu o torneio, em 2010, na África do Sul, mas nem na terra de Nelson Mandela a profecia se cumpriu. Pelé interpretou mal a bola de cristal. Na verdade, ela disse que um jogador africano seria coroado melhor do mundo. Isso, sim, aconteceu. Há 20 anos, George Weah entrava para a história como o primeiro africano eleito tanto pela Fifa, quanto pela revista France Football, o número 1 do planeta bola. À época, as duas premiações eram separadas. Depois de Weah, astros como Kanu, Okocha, Eto’o, Drogba e Yaya Touré tentaram, mas não conseguiram igualar o feito do “Romário” liberiano.

Eleito melhor do mundo em 1994, o Baixinho viu Weah sucedê-lo em 1995. Além do prêmio de craque do ano, Romário e Weah têm outros denominadores comuns: ambos foram eleitos senadores no ano passado e têm filhos vivendo um perrengue no mundo da bola. Romarinho tenta a vida no Vasco, depois de passar pelo Brasiliense. George Weah Jr. está desempregado. Mais ousado do que Romário, Weah disputou a presidência da Libéria em 2005. Perdeu para outro orgulho do país. Ellen Johnson-Sirleaf ganhou o Nobel da Paz em 2011, ao lado da compatriota Leymah Gbowee, por sua luta não violenta para a segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres à plena participação na construção da paz e trabalho.

George Tawlon Manneh Oppong Ousman Weah jamais disputou a Copa do Mundo. Azar da Copa. Não foi por falta de assédio. A França tentou de todas as formas naturalizá-lo, depois do sucesso do centroavante no Monaco e no Paris Saint-Germain, mas Weah se manteve fiel à origem. No ano seguinte à consagração, jogou e pagou do próprio bolso a despesa do elenco da seleção da Libéria na Copa Africana de Nações de 1996. O país sequer passou da primeira fase.

Weah nasceu na Monróvia, capital da Libéria. Driblou a pobreza com arrancadas fantásticas, chutes poderosos e precisos, muita força física e gols. Brilhou na Libéria até assinar o primeiro contrato internacional com o Tonnerre de Yaoundé, de Camarões. Na terra da lenda Roger Milla, conquistou dois campeonatos nacionais e foi pinçado pelo então técnico do Monaco, Arsène Wenger. O francês ficou encantado com as notícias sobre a joia africana. Aos 22 anos, Weah chegou ao time do principado praticamente de graça. Os 66 gols em quatro temporadas o colocaram na lista dos 10 maiores goleadores da história do Monaco, renderam o título da Copa da França em 1991 e um contrato com o Paris Sain-Germain.

O craque chegou ao PSG de Ricardo Gomes, Valdo e Raí fazendo a diferença. Na temporada de 1993/1994, ajudou o clube a conquistar o Campeonato Francês com oito pontos à frente do Olympique de Marselha. Na temporada seguinte, arrebentou na Liga dos Campeões da Europa. Nas quartas de final, fez o gol no Camp Nou que ajudou a eliminar o Barcelona. Nas semifinais, enfrentou o time pelo qual seria eleito melhor do mundo. Além de eliminar o PSG nas semifinais, o Milan contratou Weah — artilheiro da Champions League — pelo equivalente, hoje, a 7 milhões de euros.

O técnico Fabio Capello buscava um sucessor para Marco van Basten. O holandês anunciara a aposentadoria depois de se render às lesões. Weah virou ídolo rossonero. De uma só vez, arrematou a Bola de Ouro da Revista France Football, o prêmio de Melhor Jogador do Mundo pela Fifa, e o de Melhor Jogador Africano de 1995. O menino de um país pobre e desconhecido conquistou o planeta sem jamais ter disputado a Copa do Mundo. Sempre fiel à Libéria.

Coluna Máquinas do Tempo publicada na edição desta quinta do Correio.