Líder, Botafogo expõe Tite ao ridículo de um 4 x 0 depois de 13 anos

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Tite lembra o músico de instrumento de sopro que perdeu a embocadura. O Cruzeiro é o segundo trabalho dele em clubes depois dos seis anos e meio de mandato na Seleção Brasileira. Ganhou o Campeonato Carioca com o elenco estelar do Flamengo e amarga a terceira derrota consecutiva com a prancheta do time mineiro em seis partidas no cargo.

A derrota para o Botafogo é emblemática. Tite não perdia um jogo por 4 x 0 desde o caos à frente do Corinthians na goleada de 4 x 0 da Portuguesa em 23 de setembro de 2013 pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. À época, ele chegou a pedir demissão, mas resistiu.

O treinador bicampeão brasileiro também sofreu quatro gols do Botafogo em 2024, no Nilton Santos, quando comandava o Flamengo. O time rubro-negro pelo menos fez o de honra naquele clássico no qual Tite também balançou no cargo e deixou os críticos perplexos.

Perplexos porque os times de Tite costumam ser consistentes na defesa. Difíceis de serem vazados. Líder na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, o Botafogo pulverizou o quinteto formado por Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki, ambos protegidos pelo par de volantes formado por Lucas Romero e o capitão Lucas Silva.

Em meio à crise da SAF, o Botafogo abriu o placar com Danilo depois da assistência do centroavante Arthur Cabral. O volante ensaiou o pedido de rescisão de contrato diante das incertezas causadas pela gestão do empresário estadunidense John Textor. O cabeça de área balançou a rede duas vezes. Na segunda, com passe de Nathan Fernandes.

Matheus Martins entrou no lugar de Arthur Cabral e agradeceu pelo passe do excelente meia Álvaro Montoro. Artur completou a goleada em um contra-ataque de manual.

Martin Anselmi configurou o Botafogo como sempre gosta. Você lembra do Independiente del Valle campeão da Copa Sul-Americana contra o São Paulo e da Recopa contra o Flamengo? Do Porto no duelo com o Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes da Fifa? São as referências uma das referências do estilo do argentino.

Linha de três zagueiros, os laterais Vitinho e Alex Telles espetados com a posse da bola e formando linha de cinco sem ela, reforçados pelas proteções de Santi Rodriguez e Álvaro Montoro nas extremidades, Danilo e Allan no centro, e o primeiro combate de Arthur Cabral na frente. O futebol de Danilo parece ter melhorado sem Marlon Freitas. Não foram feitos um pro outro.

Tite sempre teve dificuldades com blocos defensivos formados por cinco jogadores. As maiores derrotas dele na Seleção foram diante de retaguardas configuradas assim. O Botafogo era compacto ao se defender e neutralizar as ações ofensivas do Cruzeiro.

O novo treinador do Cruzeiro tem uma mania que precisa ser revista. Quando assumiu o Brasil, enquadrou o time no 4-1-4-1, ou seja, o formato daquele histórico Corinthians de 2015. Engessou a Seleção até a eliminação contra a Bélgica na Copa de 2018.

No Flamengo, fez Gerson brilhar aberto na extrema direita e tenta fazer o mesmo com ele neste início de trabalho no Cruzeiro ao lado de Matheus Pereira e de Wanderson. Gerson deslocava-se para o meio e dava o corredor ao lateral-direito Fagner. O movimento lembra o que o próprio Gerson faziam com Wesley no Flamengo também sob o comando de Tite. Não funcionou contra o Botafogo e não significa que esse é o caminho para a temporada.

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

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