Com o encaminhamento das vendas dos direitos de transmissão, falta a Liga sair do papel. Foto: AFP
Em meio a uma guerra fria entre os presidentes do São Paulo, Julio Casares, e do Palmeiras, Leila Pereira; e de denúncias pendentes de provas do sócio majoritário do Botafogo, John Textor, a semana tensa no futebol brasileiro terminou com um consenso quase unânime entre os “condôminos” da Liga do Futebol Brasileiro (LiBra). Exceto o Corinthians, nove clubes da Libra selaram acordo de exclusividade com o Grupo Globo e comercializaram os direitos de transmissão nos jogos como mandantes em tevê aberta, fechada, streaming e pay-per-view por R$ 6 bilhões.
O contrato rubricado por Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo e Vitória tem duração de cinco anos. Começa em 2025 e expira em 2029. Sob nova direção depois da saída do presidente Duílio Monteiro Alves e a posse de Augusto Pereira de Melo, o Timão avalia possibilidades isoladamente.
A LiBra é um dos blocos comerciais. Em novembro do ano passado, 21 dos 26 times vinculados ao outro, a Liga Forte Futebol (LFF), vendeu 20% dos direitos de TV da Série A para os investidores da Life Capital Partners e Serengeti Asset Management pelo prazo de 50 anos, a contar de 2025. Athletico-PR, Atlético-GO, Criciúma, Fluminense, Fortaleza, Internacional e Juventude são os principais signatários. Membro do Grupo União, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco alinharam com a LFF.
A Libra representa 19 associados. Nove deles, incluindo o indeciso Corinthians, da Série A. O bloco tem o Palmeiras como um dos braços fortes. “O futebol brasileiro vive momento de transformação, em que precisamos, cada vez mais, de parcerias estratégicas que agreguem credibilidade e valorizem as marcas dos clubes. A Globo, com seu padrão de excelência reconhecido internacionalmente, levará a melhor experiência aos milhões de torcedores espalhados pelo país e pelo mundo”, projeta a presidente do clube paulista, Leila Pereira.
Desafeto da dirigente alviverde desde a confusão no clássico de domingo passado pelo Campeonato Paulista contra o Palmeiras, no Morumbi, o presidente Julio Casares sinalizou com bandeira branca ao festejar a conclusão do negócio em bloco.
“É um momento importante por podermos celebrar esse acordo de cinco anos com a Globo, uma empresa que é referência mundial na cobertura e transmissão de eventos esportivos. Esse contrato mostra também o eficiente trabalho da LiBRA e o reposicionamento dos clubes no mercado. Agora, nossa prioridade é a união dos clubes e formação da Liga”, afirma Julio Casares.
Líder do movimento pela Lei do Mandante no governo de Jair Bolsonaro, ao transformar radicalmente o negócio, o Flamengo também celebrou o acordo. “Desde o início, temos trabalhado muito pela união dos clubes. Por isso, vemos com muita satisfação o fechamento desse contrato. Para nós, ele é um primeiro e importante passo na formação de uma futura Liga”, celebra o presidente Rodolfo Landim.
O repasse ao clubes vinculados à LiBra é de 1,3 bilhão por temporada pelos direitos de TV aberta e fechada, além de um adicional proveniente do pay-per-view em formato de participação direta dos clubes da LiBra no resultado das receitas da plataforma.
CEO da LiBra, Silvio Matos celebrou o avanço. “Entendemos que o modelo de distribuição de conteúdo do Campeonato Brasileiro vai evoluir e teremos novas plataformas participando desta arena, mas para isso fazer sentido estratégico e gerar mais valor financeiro, precisamos de passos anteriores como o alinhamento dos blocos comerciais, a aproximação para a formação da Liga com todos os clubes, uma visão de produto e o cuidado com inúmeros aspectos que precisam ser discutidos e definidos, como fairplay financeiro, padronização da publicidade, calendário e muitos outros”, pondera.
O diretor de Direitos da Globo comentou o acerto: “Como uma das maiores investidoras históricas do esporte brasileiro, a Globo entende o futebol como um ativo estratégico para nossos produtos, relevante para o mercado e uma paixão dos brasileiros que incentivamos e valorizamos. Este acordo é a sinalização da nossa crença na força do futebol nacional”, afirmou o executivo.
QUEM FECHOU COM QUEM
Liga do Futebol Brasileiro (Libra)
Parceiro: Grupo Globo
Duração: 5 anos
Montante: R$ 6 bilhões (R$ 1,3 bilhão por ano)
Quem transmitirá: Grupo Globo
Plataformas: tevê aberta, fechada, streaming e pay-per-view
Membros do bloco: ABC, Atlético-MG, Bahia, Brusque, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Palmeiras, Paysandu, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo e Vitória.
Quem assinou: Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos e Vitória.
Liga Forte Futebol (LFF)/Grupo União
Contrato com: Life Capital Partners e Serengeti Asset Management
Duração: 50 anos
Montante: R$ 2,6 bilhões em 18 meses por 20% dos direitos de tevê
Quem transmite: em negociação
Plataformas: em negociação
Membro do bloco: ABC, Athletico, Atlético-MG, América-MG, Atlético-GO, Avaí, Brusque, Chapecoense, Coritiba, Ceará, Criciúma, CRB, CSA, Cuiabá, Figueirense, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário-PR, Sport, Vila Nova e Tombense.
Quem assinou: Athletico-PR, Atlético-GO, Criciúma, Fluminense, Fortaleza, Internacional e Juventude
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