Leonardo Jardim aproxima o Flamengo da melhor versão de um trabalho autoral dele ao vencer o Cruzeiro por 2 x 1 no Maracanã e classificar o atual campeão da Libertadores para as quartas de final. É possível notar um pouquinho do Monaco de 2016/2017, campeão da Ligue 1, o Campeonato Francês, e semifinalista da Champions League.
Aquele Monaco jogava no 4-2-3-1, alternando para o 4-4-2. Do meio para a frente, Leonardo Jardim tinha o volante Fabinho jogando de terno ao lado de Bakayoko. Um belo par de volantes. À frente deles, Bernardo Silva aberto na direita, Lemar posicionado centralizado e um jovem chamado Mbappé aberto na esquerda, com liberdade para transformar o sistema em 4-4-2 e formar dupla com Falcao García no ataque.
Um timaço, com muita mobilidade e o futebol mais ofensivos da Europa. A defesa era blindada por Subašić, Dirar, Glik, o brasiliense Jemerson e Sidibé.
Guardadas as devidas proporções, Pulgar e Jorginho emulam Fabinho e Bakayoko no meio-campo do Flamengo. Do lado direito, Gonzalo Plata é o falso Bernardo Silva. Tem liberdade para entregar futebol na função de ponta, mas também construir por dentro.
Do outro lado, Arrascaeta arma como meia, mas também aparece na frente no papel de falso 9, como no golaço em que recebe a assistência mágica de Pedro.
Por falar em Pedro, o equivalente ao Falcao García daquele Monaco, o centroavante fez mais uma partida estupenda. Entregou nos papéis de centroavante e de construtor. É dele também o passe belíssimo para o gol de quem parece ser o parceiro de ataque dele: Samuel Lino. As funções do atacante dão uma mobilidade admirável ao time carioca.
No Flamengo de Leonardo Jardim, Samuel Lino ocupa um papel parecido ao dado pelo técnico português a Kylian Mbappé. O francês tinha apenas 17 anos e era o cara das arrancadas pela esquerda, do drible, da força física e da fome por gol. Só era menos guloso do que Falcao García. Um facilitador do jogo dele era Bernardo Silva, enquanto Arrascaeta exerce no Flamengo uma função que também faz lembrar a de Lemar no meio-campo daquele inesquecível time francês comandado pelo lusitano. Assim como o camisa 10 do Flamengo, Lemar gostava de balançar a rede.
Não é o Monaco de 2017. Longe disso. Mas há no Flamengo de Jardim alguns traços daquele time que melhor expressou as ideias do treinador português. O 4-2-3-1 que vira 4-4-2, a mobilidade dos homens de frente, a liberdade para trocar posições e a capacidade de transformar características individuais em força coletiva. Talvez seja esse o principal sinal de que Leonardo Jardim começa a encontrar o próprio Flamengo.
Leia também
Copa do Mundo Feminina: Brasília receberá jogo da Seleção na fase de grupos
X: @marcospaulolima
Instagram: @marcospaulolima.jor

