Leão critica técnicos estrangeiros no Brasil, mas esquece carreira no exterior

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Émerson Leão teve personalidade, foi autêntico, não pipocou na frente de Carlo Ancelotti no 2º Fórum de Técnicos da CBF… Protestou contra a presença de técnicos estrangeiros no Brasil, entre eles o italiano, comandante da Seleção, mas o treinador campeão brasileiro em 2002 pelo Santos foi no mínimo inconveniente e contraditório na proteção à reserva de mercado ao se esquecer de um detalhe: ele trabalhou mais de uma vez no exterior e não dever ouvidos tratamentos xenófobos ao ajudar no desenvolvimento de países considerados à época periféricos no futebol.

Assim como Émerson Leão sente-se incomodado, os treinadores japoneses e cataris podem ter sentido isso também quando ele invadiu as fronteiras da Ásia. O terceiro goleiro do Brasil na Copa do Mundo de 1970, titular em 1974 e em 1978 e reserva em 1982 explorou o mercado internacional. Foi técnico do Shimizu S-Pulse no período de 1992 a 1994. Passou pelo Verdy Kawasaki de 1996 a 1997. Trabalhou no Vissel Kobe em 2005. Passou pelo Al-Sadd no Catar. Portanto, o discurso foi no mínimo contraditório no discurso veemente.

“Eu sempre disse que não gosto de treinadores estrangeiros no meu país, e isso serve para o Mancini, que é o presidente (da Federação Brasileira de Treinadores). Estou falando aqui na frente da nossa casa. Antes eu falava que não suportaria treinadores (estrangeiros). Você sabe que eu já falei isso, né Zé (Mário, ex-jogador e ex-treinador presente ao evento)? Você sabe que eu falei isso e não mudo. Não mudo a minha opinião. Mas tenho que ser inteligente o suficiente para dizer que isso tudo tem um culpado. Nós, treinadores, somos culpados da invasão de outros treinadores que não têm nada a ver com isso”, afirmou na sede da CBF.

O ex-técnico da Seleção acrescentou: “Não estamos falando de nome, não estamos falando de nacionalidade. Estamos falando de erro nosso. Eu parei. Não sou mais treinador, não sou mais atleta. Mas continuo dando a minha colaboração quando solicitado. Portanto, mudei de ideia nesse exato momento. Quero falar a você, Vagner (Mancini). Já fui presidente de sindicato, de tudo. Vagner, pode contar comigo com toda a colaboração que você precisar de um treinador antigo para passar algumas coisas para o jovem. Tem o Zé Mário também, que é meu companheiro. Eu vejo vários companheiros aqui. E muitos novos que não conheço. Inclusive, ex-jogadores que trabalharam comigo que eu não reconheço”.

No fim do desabafo, Émerson Leão dirigiu a Vágner Mancini e a Carlo Ancelotti no fim do discurso, mas não citou o nome do italiano. Você tem tudo para se tornar uma pessoa muito, muito importante para nós brasileiros. Então, boa sorte no seu futuro. Boa sorte para você também”, afirmou ao entregar o microfone, deixando a organização numa saia justa.

Oswaldo de Oliveira também fez discurso inflamado no púlpito da CBF. “Nós temos que ter os treinadores brasileiros brilhando, dirigindo os clubes e quando o Ancelotti for embora depois de ser campeão, tomara que volte um treinador brasileiro ao comando da Seleção Brasileira”, afirmou o campeão do Brasileirão de 1999 e do Mundial de Clubes de 2000 pelo Corinthians.

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Marcos Paulo Lima

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