Mauricio decidiu o jogo no primeiro e no último toque dele na bola. Foto: Ricardo Duarte/Iner
“O respeito pela bola é sempre. O respeito pela bola é todo tempo. Todo tempo. Uma bola perdida, um problema. Não se pode perder nunca a bola, nunca. Nunca, nunca, nunca!”. Jorge Sampaoli repetiu o mantra, no Ninho do Urubu, nos três dias de trabalho para enfrentar o Inter. Faltou atenção sem a bola, principalmente nas cobranças de dois laterais que pegaram a defesa desarrumada. Quem teve a bola nos pés durante 64% da partida e acertou a trave no lance anterior à virada colorada por 2 x 1 perdeu devido a dois arremessos manuais seguidos de bolas enfiadas no meio da área, entre os zagueiros rubro-negros. Mauricio saiu do banco para balançar a rede duas vezes e assumiu o protagonismo que, até então, era de Gerson.
Jorge Sampaoli conhece Mano Menezes, e o técnico sabe decifrar muito bem o argentino. Do ponto de vista tático, houve um duelo óbvio. O Internacional deixaria a bola com o Flamengo e exploraria justamente as perdas, erros e desatenções do adversário. Mano é expert no assunto. Correria riscos diante da torcida na matinê do Beira-Rio, mas foi não abriu mão do pragmatismo.
Discordo de algumas escolhas de Samapoli, mas o Flamengo inegavelmente apresenta evolução em dois jogos sob o comando dele. A primeira é justamente a posse de bola. Repito a informação: o time carioca teve 64% dentro da casa colorada. Faltou se impor. Isso depende de entrosamento, engrenagem articulada, intimidade com o manual de jogo do novo treinador. Isso demanda tempo. O tempo que o Flamengo desperdiçou em quatro meses com Vítor Pereira.
Não adianta ostentar 64% de posse de bola e finalizar no alvo a mesma quantidade de vezes de quem teve 36%: 4 x 4. É preciso conciliar toque de bola e resolução rápida eficiente da jogada. A Copa do Mundo do Catar mostrou isso. A Espanha tocava, tocava, tocava, mas quando perdia a bola, os adversários eram impiedosos nas finalizações. Lembra do que fez o Japão?
Um dos sinais de evolução do Flamengo é Gerson. Xodó de Sampaoli no Olympique de Marselha, o meia inicia e termina o lance do primeiro gol da partida. Foi disparado o melhor rubro-negro em campo. Pudera. Ele tem na memória recente o chip com os conceitos de Sampaoli. A maioria dos companheiros passa pelo processo de download. Os arquivos da Era Vítor Pereira foram para a lixeira e os conceitos de Sampaoli estão sendo baixados devagarinho. É previso acelerar.
Interessante também ver o Flamengo jogando de maneira minimamente segura em dois sistemas de jogo diferentes em 180 minutos. Iniciou a partida contra o Ñublense no 3-1-4-2. Neste domingo, Sampaoli configurou a formação inicial no 4-3-1-2. Éverton Ribeiro não esteve bem no papel de enganche. O time sentiu o impacto da atuação aquém do esperado.
Mesmo assim, Sampaoli sentiu que era possível vencer no Beira-Rio. Encurralou o Internacional nos últimos 10 minutos regulamentares. Pressionava, mas flertava com o risco da bola perdida tão cobrada por Sampaoli. Oferecia muito campo nos contra-ataques. O Flamengo teria problemas se ela caísse nos pés de um jogador colorado minimamente inspirado. Não foi o caso de Alemão, por exemplo, que se atrapalhou em uma das oportunidades claras.
Quando caiu nos pés de Mauricio em dois lances iniciados em cobranças de lateral, o Flamengo foi punido severamente. O jovem de 21 anos empatou a partida no primeiro toque na bola e virou o jogo no último contato com ela na partida depois de Matheus França acertar a trave. Mauricio explorou um dos pontos fracos dos times comandados por Sampaoli. Os goleiros dele costumam atuar um pouquinho ou muito adiantados. Santos estava passinhos à frente depois da cobrança de lateral que originou o lance. Mauricio percebeu e decidiu a partida com um lindo gol de cobertura. Vidal foi o pior do Flamengo. Alan Patrick passou como quis por ele no lance do primeiro gol. O chileno foi lento ou até mesmo displicente no lance.
O segundo gol é uma desatenção no fim da partida. A jogada novamente começa em um arremesso manual marcado pela recomposição desorganizada do Flamengo. Alan Patrick recebe a bola entre três marcadores e pega a defesa rubro-negra desarticulada. Aciona Jean Dias e explora a falta de cacoete de Everton Cebolinha para recompor a defesa. Em vez de dar o bote, Cebolinha dá espaço e fica esperando Mauricio chutar.
Há quem esteja surpreso com o fato de Sampaoli ter tirado Pedro do time e manter Gabriel Barbosa. Escrevi alguns posts atrás que o argentino é totalmente desapegado de centroavantes. Prefere jogadores de mobilidade. Na Copa de 2018, contava com Higuaín e Agüero no elenco. No entanto, preferiu enfrentar a França com Messi de falso 9 nas oitavas de final e foi eliminado. Entendo o fato de Marinho ter sido jogador de Sampaoli no Santos, mas o pupilo não arrancou suspiros nas duas partidas em que teve chance como titular e desta vez saindo do banco. Isso vai acontecer bastante no Flamengo. Sampaoli gosta de mobilidade. Marca dos times dele.
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