Inglaterra usa fórmula da juventude para marcar posição na disputa pelo título da Copa do Mundo

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A primeira vitória de uma campeã na Copa do Mundo emocionou por questões históricas. Pela primeira vez desde 1952, quando a rainha Elizabeth II assumiu o trono, o hino da Inglaterra sofreu mudança de letra. os súditos cantaram “God Save The King” no Estádio Internacional Khalifa em referência ao sucessor Charles III e viram a Inglaterra usar a média de 26,6 anos para implodir qualquer intento do Irã de causar a primeira zebra.

Chamo a atenção para alguns detalhes do triunfo dos campeões de 1966. O primeiro deles é a idade dos autores dos gols no triunfo por 6 x 2 contra a seleção persa. Todos têm abaixo de 30 anos. Gosto sempre de lembrar o impressionante trabalho feito nas divisões de base da FA. Em 2017, o país unificou os títulos do Mundial Sub-17 e Sub-20 da Fifa. Era uma primeira prova de que os inventores do futebol moderno estavam despertando.

Na sequência, a Inglaterra quebra um tabu de 28 anos e volta às semifinais da Copa do Mundo, em 2018, na Rússia, Mais à frente, decide o título da Eurocopa contra a Itália e perde o título nos pênaltis para a Itália. Paralelamente, a seleção feminina supera a Alemanha e conquista o inédito troféu continental. Sinais de que eles estão trabalhando.

A Inglaterra estava com a autoestima em baixa depois do rebaixamento na Nations League e a série de seis partidas sem vencer. O jejum persistia desde março. Uma das mudança de postura no time de Gareth Southgate é o sistema de jogo. Ele insistia com uma linha de três defensores. Contra o Irã, adotou, na minha visão da tribuna de imprensa do estádio, o modelo 4-2-3-1. Apesar de o técnico português ensaiar um ferrolho, a retranca foi furada com muita posse de bola (78% x 22%), movimentação e perícia na finalização.

É estranho uma vitória da Inglaterra terminar com seis gols e nenhum do centroavante do time, o ídolo Harry Kane. Ao mesmo tempo, é relevante notar o papel dele no jogo de equipe. Kane deu duas assistências na partida. A primeira para Sterling e a outra para Rashford. Sinais do futebol moderno. Centroavantes podem — e devem — se movimentar.

Estrelas de um triunfo marcado por protestos dos dois lados, a Inglaterra em defesa da causa LGBTQI+ e o Irã pelo respeito às mulheres ao não cantar o hino nacional, refletem o espírito do tempo em que a sociedade rejeita ser silenciada e cada vez exige ser ouvida.

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Marcos Paulo Lima

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