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Marcos Paulo Lima
Esporte 3 min de leitura
Infidelidade às prioridades pode custar caro ao Corinthians no Brasileirão

Considero Vanderlei Luxemburgo um dos melhores técnicos da história do país. Os feitos dele de 1989 no Bragantino, passando por Palmeiras e Corinthians nos anos 1990, até os títulos por Cruzeiro e Santos no início da era dos pontos corridos, em 2003 e em 2004, respectivamente são dignos de aplausos. As incoerências nesta terceira passagem pelo Corinthians são inaceitáveis.
O professor iniciou o trabalho apontando o Campeonato Brasileiro como possibilidade. Brigou pouco pela permanência na Libertadores. Menos ainda quando o Corinthians amargou o rebaixamento para a Sul-Americana. Deu milhas aos garotos em partidas consideradas menos importantes e foi levando a Fiel na base da conversa. Parte da torcida fechou com ele.
As competições foram avançando e Luxemburgo começou a se perder. A hierarquização das prioridades desmoronou. A Sul-Americana passou a ser prioridade. A corrida para se afastar da zona do rebaixamento, não. Prova disso é a escalação para o empate por 1 x 1 com o Goiás na noite deste sábado, na Neo Química Arena, em São Paulo. O volante Maycon salvou um ponto depois de Guilherme abrir o placar para os visitantes, em Itaquera.
O Corinthians é imagem e semelhança do técnico. Indeciso para estabelecer prioridades. Antes de assumir o Corinthians, Luxemburgo filiou-se a um partido, foi pré-candidato a senador por Tocantins e administrava a TV Jovem, afiliada da Record no Tocantins.
Quando Luxemburgo era considerado praticamente carta fora do baralho no mercado, eis que ser técnico do Corinthians passou a ser prioridade e aí está ele estabelecendo as preferências do time paulista na temporada. A opção pelo time reserva em um confronto direto com o Goiás foi arriscada. O time havia perdido para o adversário na Serrinha, em Goiânia. Voltou a perder pontos para o adversário ao suar bicas para evitar a derrota dentro de casa.
Na base do desespero, Luxemburgo teve de colocar em campo titulares como Renato Augusto, Matías Rojas, Bruno Méndez, Gustavo Mosquito e Maycon, autor do gol do empate de um time que não sabe exatamente o que deseja. Enfrentou o Goiás priorizando o duelo de volta com o Estudiantes, na Argentina, pelas quartas de final. O desprezado título inédito virou prioridade.
A vantagem de 1 x 0 é boa, mas em caso de eliminação, o Corinthians retornará da Argentina com a responsabilidade imensa de reagir na Série A em uma sequência insana de partidas contra Palmeiras, Fortaleza, Botafogo, São Paulo, Flamengo e Fluminense.
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