Milito não deixou o compatriota Gallardo ver a cor da bola na Arena MRV. Foto: Pedro Souza/Atlético
Enquanto a Seleção anda em círculo à caça de laterais numa época de carência de novos “Cafus” e “Robertos Carlos”, o técnico Gabriel Milito do Atlético-MG deixa Saravia e Mariano no banco e dá aula à escola brasileira de como combater a escassez de talento sem um especialista na ala direita.
O sistema tático 3-4-3 (com a bola) e 5-4-1 (sem ela) usado na vitória por 3 x 0 contra o River Plate precisa ser analisado com lupa pela comissão técnica da CBF. Inspirações não vêm somente do Real Madrid, Manchester City ou de outro clube da Europa. O gramado do vizinho Atlético-MG também é verdinho.
Gabriel Milito trabalhou com Pep Guardiola no Barcelona e viu na prática o treinador ensaiar o timaço também no 3-4-3. Se o técnico argentino usa hoje Battaglia como zagueiro é porque, lá atrás, testemunhou o processo de adaptação dos volantes Mascherano e Busquets e do lateral Abidal ao papel de zagueiros. Quando Guardiola adotava o modelo, o catalão escalava um lateral-lateral na ala direita, ou seja, Daniel Alves, e improvisava Thiago Alcântara ou até mesmo Iniesta na ala esquerda. Milito aprendeu.
Um dia, Pep Guardiola alinhou o meio de campo no 3-4-3 com Xavi na ala direita, Iniesta na esquerda e o par Busquets e Fàbregas por dentro. Atrás deles, a trinca de defensores formada por Mascherano, Puyol e Daniel Alves. À frente, o trio de ataque alinhado por Cuenca, Lionel Mesi e Pedro no Campeonato Espanhol. Milito não estava mais no Barcelona, porém discípulo jamais deixa de seguir o mestre.
Enquanto a Seleção acumula candidatos a jogar na lateral direita, Gustavo Scarpa come a bola no papel de ala direito. Havia expectativa de que Guilherme Arana atuasse como meia e Rubens na ala, mas Milito preferiu Arana no habitat dele contra o River Plate. Especialista na função, ele alinhou com dois volantes aptos a colaborar com a saída de bola a três ou com dois: Fausto Vera e Alan Franco. Scarpa brilhava do outro lado.
O jeitão holandês do 3-4-3 do Atlético, que faz lembrar também com adaptações o 3-4-3 do Ajax de Louis van Gaal nas conquistas da Champions League e do Mundial de Clubes em 1995, conecta-se com Hulk aberto na direita, Paulinho na canhota e Deyverson, o nome do jogo, centralizado. Até o centroavante raiz se apresenta como alternativa a Dorival Júnior em um momento de abstinência de camisas 9 na Seleção Brasileira. Dez foram testados neste ciclo para a Copa de 2026. Basta deixar de enxergá-lo como “folclórico” e levá-lo a sério.
Deyverson estava impossível. Fez um gol em impedimento corretamente acusado, porém compensou com outras duas bolas na rede é uma assistência para Paulinho, um jogador erroneamente esquecido por Dorival Júnior nas convocações. O meia-atacante oferece opções de jogo pelas duas pontas, pelo centro, forma trio de ataque ou dupla. Versatilidade na veia.
A disponibilidade de Deyverson na Libertadores e no Brasileirão — e a ausência dele na Copa do Brasil por ter sido usado pelo Cuiabá tornam o Galo camaleão nas duas competições nas quais pode ser campeão. O Galo tem dificuldade de ir às redes sem ele no mata-mata nacional. Prova disso são os placares agregados apertados contra o Sport na terceira fase, o São Paulo nas quartas e o Vasco nas semifinais. O time só respirou nas oitavas diante do CRB-AL
Com Deyverson, o Atlético fez dois gol no duelo de volta contra o Fluminense na Arena MRV. Graças a ele, abriu 3 x 0 na queda de braço com o River Plate em Belo Horizonte e caminha para a passos largos rumo à segunda final continental continental na história do clube. Jamais o placar de 3 x 0 foi invertido na história das semifinais da Libertadores. Dificilmente será na próxima terça no caldeirão do Monumental de Núñez.
Em tempo. Imagina essa Seleção Brasileira aleatória inspirada no 3-4-3 do Galo de Gabriel Milito com todos os jogadores disponíveis. Anota aí: Ederson; Marquinhos, Léo Ortiz e Bremer; Scarpa, Gerson, Bruno Guimarães e Guilherme Arana; Raphinha, Pedro e Vinícius Junior. No mínimo interessante, professor Dorival Júnior!
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