Bola parada, contra-ataques letais, redução de riscos: a França bi da Copa. Foto: www.fff.fr
No campo dos sonhos, bom seria ver uma seleção campeã mundial cheia de diversão e arte. Brilhante como o Brasil de 1970, ou as vice-campeãs Hungria (1954) e Holanda de (1974). A França bem que tentou. Na Euro-2016, era a seleção da posse de bola. Tentava seguir o legado da Espanha (2010) e da Alemanha (2014). No entanto, descobriu de uma forma cruel que o futebol estava mudando. Com média de 53% de posse de bola no torneio continental, perdeu o título em casa para Portugal por 1 x 0. Encurralados pelo adversário, principalmente depois da saída de Cristiano Ronaldo, lesionado, os lusitanos só se fenderam no Stade de France.
O primeiro grande trabalho de Didier Deschamps foi na Champions League de 2004. Levou o Monaco à final contra o Porto. Ele sabe que, hoje, o principal torneio de clubes do mundo mostra a tendência do futebol mundial. O técnico da França soube entender isso mais rápido do que seus 31 concorrentes. Em dois anos, mudou o estilo da França. Para pior, diga-se de passagem, mas a posse de bola, o protagonismo, não é a única fórmula para vitória. No entanto, em nenhum momento, ele e os jogadores tiveram vergonha de assumir que brigariam pelo título jogando com o freio de mão puxado, cheia de precauções.
A tendência cobra menos toques de bola, menos tiki-taka, um futebol incisivo, cirúrgico nos contra-ataques e impecável nas finalizações. O golaço de Pogba, o terceiro no triunfo sobre a Croácia, é um exemplo disso. Alta velocidade e dribles de Mbappé, um menino de 19 anos, e a perfeição do chute de Pogba, 25.
Depois do fracasso contra Portugal na final da Euro, a França decidiu reduzir riscos. Montar um time de trás para a frente, com uma defesa segura, sólida, capaz de saber sofrer e, quando possível, decidir jogos na base da bola parada. Os zagueiros Varane e Umtiti fizeram gols assim na campanha do bicampeonato. Mandzukic também (que azar!) no lance do gol contra.
O legado da França é como o da Itália de 2006. Ser competitiva, jogar para ganhar, não importa como. Griezmann admitiu isso ao responder as críticas do goleiro belga Courtois depois da semifinal. Chegou a comparar o estilo da França ao do Atlético de Madrid e do Chelsea. O atacante não teve vergonha de assumir o jeitinho francês de ser campeão, ou seja, totalmente contrário a posse de bola, aos toques, ao improviso, a beleza da excelente Bélgica.
O recado da França ao mundo da bola é que para ganhar a Copa do Mundo, nem sempre a beleza é fundamental. A posse de bola não é mais tão importante. A França teve 39, contra impressionantes 61% da Croácia. Dominar os jogos, como fez na derrota para Portugal na decisão da Euro, nem sempre é o melhor caminho. Apostar em cada escanteio, cobrança de falta, sim. Que é possível conquistar a Copa sem que o centroavante titular, o dono da camisa 9, faça gol, desde que ele saiba jogar sem a bola, ou seja, abrir espaço para quem vem de trás.
A França poderia ter deixado um legado bem melhor do que esse, óbvio. Tem elenco e time para isso. Mas escolheu curar o trauma de 10 de julho de 2016 jogando assim. E assim conseguiu lugar na história. Está registrado. França: campeão da Copa de 2018.
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