Pablo festeja gol do Athletico-PR contra um Flamengo humilhado ao som de "olé". Foto: Athletico
O Flamengo acredita no sucesso de um vestiário caótico como o da seleção feminina da Espanha. Só pode. As campeãs da Copa do Mundo no mês passado, na Austrália e na Nova Zelândia, viviam uma espécie de guerra fria com o técnico Jorge Vilda. Relacionamento meramente profissional. Todos estavam no mesmo barco na competição, porém cada um remava em um canto da embarcação. Elas de um lado; ele do outro. Ninguém deveria cruzar a “faixa de gaza” sob risco de um dos lados ativar uma bomba atômica e mandar o sonho do caneco pelos ares.
Espanha e Vilda caminharam no limite da tolerância profissional até a final da Copa do Mundo contra a Inglaterra. Conquistaram o título inédito na vitória por 2 x 0, no Estádio Olímpico de Sydney, na Austrália. Nem mesmo troféus e medalhas transformaram corações de pedra em cera. Houve frieza entre elenco e o técnico na cerimônia de premiação da Fifa. Como se não bastasse o ambiente terrível no vestiário, o beijo à força do ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, em Jenni Hermoso, agravou de vez a crise interna. O Flamengo já teve dois episódios de soco na cara. Baixaria.
O Flamengo vive de aparência faz tempo no relacionamento entre o elenco e Jorge Sampaoli. O abraço no treinador argentino naquela vitória contra o Grêmio pelo duelo de volta da semifinal da Copa do Brasil foi artificial. O sincerão na cena era o técnico argentino. Sampaoli não achou graça nenhuma daquele teatrinho constrangedor.
A presença de Gabriel Barbosa na sala de entrevistas do estádio Kleber Andrade depois da derrota para o Athletico-PR foi estranha. Não passou credibilidade. O camisa 10 prejudicou Sampaoli ao receber cartão vermelho e depois assumiu o papel de escudo de Sampaoli. Agiu como se fosse garoto de recado da diretoria. No papel de porta-voz, foi lá dizer que o treinador está prestigiado até o primeiro jogo da final da Copa do Brasil contra o São Paulo.
O elenco do Flamengo não suporta Jorge Sampaoli e vice-versa. A relação chegou ao limite depois do soco de Pablo Fernández no centroavante Pedro e a demissão do preparador físico — braço direito de Sampaoli. O treinador resiste no cargo por uma simples questão de vaidade.
Sampaoli foi escolha pessoal do presidente rubro-negro Rodolfo Landim depois da demissão de Vítor Pereira. Portanto, a conquista da Copa do Brasil virou questão de honra para o dirigente. O ungido não pode sair do clube sem ganhar título. Landim quer ser feliz e ter razão. O Flamengo pode repetir a Espanha feminina e conquistar a Copa do Brasil em meio ao um clima interno hostil, mas o comandante precisa colaborar.
Em vez de se ajudar, Sampaoli se inviabiliza. Lembra criança birrenta. Não simplifica. Complica. É escravo do estilo autoral. O argentino não se importa com títulos. O estilo autoral interessa mais a ele. O prazer pessoal está nas ideias. Títulos são secundários. A escalação contra o Athletico-PR expôs dois bons jogadores. Thiago Maia e David Luiz têm tamanho para se recusarem a jogar como lateral-esquerdo e volante, respectivamente. Sampaoli tinha opções de sobra para a função de primeiro volante. Allan e Thiago Maia, por exemplo. A ala esquerda poderia ter sido ocupada por Léo Pereira, Everton Cebolinho ou até mesmo Everton Ribeiro.
Não vi o Flamengo com três zagueiros. Para mim, havia uma linha de quatro na defesa: Wesley, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Thiago Maia. David Luiz não era volante desde que foi testado por Tite nessa função em um amistoso da Seleção Brasileira na Austrália, em 2017. O beque está seis anos mais velho e ficou exposto no papel de cabeça de área. Se parte da torcida entendesse isso não xingaria o jogador como fez em Cariacica nesta quarta-feira.
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