Crias de Xerém asseguram ao Flamengo quarta final consecutiva de Carioca contra o Fluminense

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Ayrton Lucas finaliza de perna direita para fazer o terceiro do Flamengo. Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Craque o Flamengo faz em casa, mas quem decidiu a dura semifinal contra o Vasco foram duas crias do Fluminense. O time rubro-negro começou a vitória deste domingo por 3 x 1 contra o Vasco no duelo de volta das semifinais do Campeonato Carioca com três talentos formados nas divisões de base tricolores aprimorados na Europa e no Ninho do Urubu: o lateral Ayrton Lucas, o meia Gerson e o centroavante Pedro. Dos três meninos de Xerém, dois confirmaram a quarta finalíssima consecutiva do Estadual protagonizada pela dupla Fla-Flu, em 2 e 9 de abril.

Cria do Fluminense, Pedro fez dois gols. Três em dois clássicos contra o Vasco. Revelado pelo ABC-RN, aprimorado em Xerém e lançado profissionalmente no arquirrival das Laranjeiras, Ayrton Lucas consolidou o triunfo com uma finalização de perna direita depois de receber assistência de… Pedro! O segundo tempo de domínio do Vasco mudou depois da entrada de um menino do Ninho do Urubu. Matheus França entrou no lugar de Arrascaeta, passou a puxar contra-ataques e sofreu o pênalti que começou a dar alívio a uma estressada nação rubro-negra. Afinal, o Vasco perdeu, mas teve, sim, algumas oportunidades de virar o Clássico dos Milhões no segundo tempo.

No fim das contas, a fusão dos meninos de Xerém aos do Ninho do Urubu garantiu o triunfo do Flamengo por 6 x 4 contra o Vasco no placar agregado da semifinal e confirmou a decisão do título estadual entre Flamengo e Fluminense pela quarta temporada consecutiva: dois títulos rubro-negros em 2020 e 2021 e um tricolor no ano passado.

Mesmo em construção neste início da era SAF, o Vasco conseguiu incomodar muito e até ser superior ao Flamengo em muitos trechos dos três clássicos disputados neste ano. Vítor Pereira tem, sim, ideias de jogo, algumas variações, mas não apresentou evolução de um clássico para o outro. O talento individual rubro-negro fez toda diferença na semifinal.

Evolução é um quesito. Variação, outro. Para mim, Vítor Pereira venceu o Vasco usando dois sistemas autorais. Iniciou a partida no formato 3-4-3/3-4-2-1. A ausência de um lateral-direito especialista causou vulnerabilidade no setor. Improvisado devido às lesões de Matheuzinho e ao retorno gradual de Varela, não funcionou. O atacante sofreu muito na marcação e deu muito espaço ao Vasco nas bolas enfiadas entre ele e os zagueiros.

Obrigado a vencer para levar o Vasco à final, Maurício Barbieri apostou no jogo direto, físico, em ganhar as disputas pela primeira e a segunda bola. Pressionado no início do segundo tempo, Vítor Pereira recorreu ao desenho testado na decisão da Recopa Sul-Americana diante do Independiente del Valle. Reconfigurou o time no 5-4-1 com o volante Thiago Maia recuando para o papel de terceiro zagueiro pela direita alinhado com Varela, Fabrício Bruno, David Luiz e Ayrton Lucas. Onfensivamente, ou seja, com a bola, Ayrton era o ala mais agudo para puxar o contra-ataque. Matheus França turbinou o setor.

O Flamengo é uma metamorfose ambulante rumo à final. Há ideias, porém falta um padrão de jogo consolidado. A defesa sofre demais. Não parece razoável e minimamente aceitável sofrer quatro gols em três clássicos contra um Vasco em construção. Do outro lado, o time cruz-maltino lamenta a queda diante do arquirrival, mas a eliminação não é absurda. O vexame contra o ABC na segunda fase da Copa do Brasil, sim, é um enorme prejuízo. Daqui em diante, o Vasco só tem o Brasileirão na agenda. Trinta e oito jogos. A boa notícia em meio à terra arrasada é uma intertemporada de três semanas até a reestreia na Série A.

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Marcos Paulo Lima

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