O Flamengo fez pacto pela conquista do tetra depois da eliminação contra o Al-Hilal na semi da Libertadores. “Trabalhar para ganhar mais uma Libertadores. Somos jogadores de grande nível, temos uma comissão de grande nível. O Flamengo merecia estar na final (do Mundial), não conseguimos e vai doer. Mas não vamos desistir”, afirmou Gabriel Barbosa depois do fiasco por 3 x 2, no Marrocos em reportagem publicada à época pelo colega Fred Gomes do portal do GE.com direto de Rabat, no Marrocos. A primeira linha do acordo foi desrespeitada nesta quarta-feira na estreia do atual campeão contra o debutante Aucas do Equador. O time rubro-negro saiu na frente, mas sofreu a virada por 2 x 1 na altitude de 2.650m de Quito diante de um adversário fraquíssimo.
É óbvio que o pacto pelo tetra continua, mas se ele realmente existe, deveria ter sido respeitado logo no primeiro jogo da nova saga pelo título. O Flamengo tinha obrigação de se impor, dar uma prova de imponência, de força logo na primeira rodada. Não foi o que se viu. Vítor Pereira abriu mão da formação que venceu o Fluminense no primeiro jogo da final. Deixou bem claro a ordem de prioridade e assumiu o risco de comprometer as largadas na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro para minimizar o prejuízo causado pelo péssimo início no torneio continental.
O Flamengo foi ingênuo, blasé e displicente em um primeiro tempo no qual o Aucas fez questão de dar corda para o time de Vítor Pereira se enforcar. Entregou a bola e as rédeas da partida para o adversário, obrigou o visitante a se desgastar fisicamente e viu um displicente Gabriel Barbosa desperdiçar oportunidade de frente para o gol. Logo o ídolo, esqueci está em campanha para voltar ao papel de centroavante até mesmo disputando a posição com Pedro.
Para sorte rubro-negra, o jovem Matheus França assumiu a responsabilidade de decidir sozinho. Construiu lance individual e transformou um jogo aparentemente acessível em fácil. No entanto, um time acomodado não fez questão alguma de ampliar o placar e partir rumo ao vestiário mais tranquilo para renovar o gás. Além de jogar mal, o Flamengo via Éverton Ribeiro nos piores dias e Marinho novamente sacrificado no sistema tático de Vítor Pereira. Aliás, há muitas críticas ao atacante, mas é impressionante como o Rei da América de 2020 na campanha do vice do Santos na Libertadores é usado fora das características dele no Flamengo. Aí complica.
Depois de dar a bola para o Flamengo na etapa inicial, o Aucas acelerou o jogo no segundo ato. Cesar Farias não é um técnico qualquer. Levou a Venezuela às semifinais da Copa América em 2011, na Argentina. Rodado na América do Sul, soube bagunçar o planejamento de Vítor Pereira. Fez três gols. Um deles anulado pelo VAR. Bastou para decretar s primeira vitória do Aucas na história da Libertadores. Logo diante de um atual campeão incapaz de se dar o respeito — e muito menos respeitar o tal pacto pelo tetra. Nem mesmo as entradas de Pedro e Ayrton Lucas impediram o fiasco em Quito. Mais um no ano. O Flamengo também perdeu lá para o Independiente del Valle na partida de ida válida pela decisão da Recopa Sul-Americana.
Vítor Pereira gosta de viver perigosamente. Deveria ter aproveitado o jogo contra o frágil Aucas para acumular a quarta vitória consecutiva sob a batuta dele depois de dois triunfos contra o Vasco e um diante do Fluminense no Carioca, só que não. Alimenta a desconfiança. O trabalho confuso não flui nem transmite confiança para o que virou prioridade na gestão do treinador: o Campeonato Carioca. A Libertadores é um torneio traiçoeiro. O correto, para mim, é poupar depois de assegurar a classificação. Antes disso, é jogar problemas para a frente justamente quando o calendário estará mais puxado.
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