Flamengo 0 x 3 Palmeiras: como Abel criou o clima e desconstruiu Jardim

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Paulinho faz o terceiro do Palmeiras e cala o Maracanã. Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Abel Ferreira reivindica a expulsão de um jogador do Flamengo desde o lance impune do volante chileno Pulgar na final da Libertadores do ano passado, em Lima. O treinador remoeu o episódio mais de uma vez em entrevistas nesta temporada, distribuindo indiretas para a Conmebol e a CBF. Antes de vencer o time rubro-negro por 3 x 0 no Maracanã, o português disparou, logo após a derrota para o Cerro Porteño na quarta-feira passada: “É preciso coragem para apitar um jogo desses”.

 

O comandante do Palmeiras está no Brasil há quase seis anos. Como diria Galvão Bueno, ele entendeu perfeitamente como se cria o “clima” para um clássico desse tamanho. Leonardo Jardim chegou outro dia e ainda não decifrou as entrelinhas do nosso futebol.

 

Deveria, no mínimo, ter alertado o vestiário para minimizar os riscos de uma expulsão. Afinal, o árbitro Davi de Oliveira Lacerda pisaria no gramado do Maracanã sob imensa pressão — carregando uma dívida que não era dele, mas do argentino Dario Herrera na decisão continental de novembro passado.

 

Tolo, Carrascal caiu na armadilha. A expulsão do colombiano foi correta. Antes, ele havia recebido cartões vermelhos contra o Corinthians e o Fluminense. Foi, no mínimo, imprudente em um trecho do jogo no qual o Flamengo era superior ao Palmeiras. A terceira expulsão na temporada arruinou o plano de jogo de Leonardo Jardim.

 

Até a expulsão, a posse de bola rubro-negra beirava 70%, com chances reais de abrir o placar. O Flamengo atacava e o Palmeiras resistia com três volantes (Martínez, Marlon Freitas e Andreas Pereira) cumprindo à risca a conhecida proposta de Abel Ferreira.

 

O cartão vermelho mudou drasticamente a dinâmica do confronto. Ao contrário das partidas contra o Corinthians e o Remo — quando o Palmeiras teve um jogador a mais, mas não conseguiu vencer —, o comportamento alviverde mudou contra o Flamengo.

 

Em vez de se fechar e explorar os contra-ataques como tanto gosta, Leonardo Jardim quis ser com 10 jogadores o que não é com 11. Abriu o Flamengo e foi severamente punido. O goleiro Rossi cometeu mais uma falha grotesca e Flaco López não perdoou.

 

No segundo tempo, Jardim cometeu a barbeiragem de sacar Evertton Araújo para a entrada de Bruno Henrique, escancarando de vez o time. Allan fez o segundo gol. O Palmeiras poderia ter aplicado um placar mais elástico se não tivesse recuado, mesmo com 2 x 0 no placar e em superioridade numérica.

 

Mas Abel Ferreira é assim. O contra-ataque final foi muito bem consumado por Paulinho, em um chute à queima-roupa na frente de um irreconhecível Rossi.

 

Houve muito mérito na proposta de Abel Ferreira. Ele convidou Leonardo Jardim a jogar fora da característica. O técnico do Flamengo não é um apaixonado pela posse de bola; prefere a linha baixa e a transição rápida.

 

O Palmeiras convidou o Flamengo a ter uma posse de bola estéril — justamente o que Jardim detesta. Como o gol rubro-negro não saiu no início, Carrascal deu ao Palmeiras a coragem que havia faltado até os 21 minutos do primeiro tempo. O time alviverde inclusive demorou a entender a facilidade antes de construir uma vitória indiscutível.

 

O Palmeiras lidera o campeonato porque, entre outros motivos, corrigiu um defeito grave do ano passado: agora, vence os confrontos diretos com os concorrentes do G6 (o que raramente acontecia na edição passada). Neste primeiro turno, o clube paulista já derrotou Flamengo, Fluminense, São Paulo, Athletico-PR e Red Bull Bragantino.

 

A Abel o que é de Abel, torcida alviverde: respeito!

 

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