A festa no Maracanã, palco do bicampeonato alviverde. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
A Conmebol celebrou a transmissão da final da Libertadores para 191 países. Quem adquiriu o pacote tem o direito de pedir o dinheiro de volta. Para mim, entrou na lista de uma das piores decisões da história do torneio. Fraquíssima tecnicamente. Mais do mesmo do ponto de vista tático, com Palmeiras e Santos obcecados por destruir e pouco zelosos na construção. Se fosse uma luta de boxe, diríamos que os pugilistas ficavam se agarrando para evitar o combate.
Se a ideia da entidade máxima do futebol sul-americano era mostrar ao planeta bola, especificamente à Europa, que ainda sabemos tratar a bola e uma decisão com carinho, o plano fracassou. Os dois times brasileiros protagonizaram o pior espetáculo da terra. A equipe alviverde renegou a fama de Academia. O alvinegro, que jogava o melhor futebol do torneio no mata-mata ao superar LDU, Grêmio e Boca Juniors esqueceu o futebol na Vila Belmiro.
Isso tira o mérito do bicampeonato do Palmeiras? Não! Também não ofuscaria o mérito de um possível tetra do Santos. Simplesmente não gostei do jogo. Como também não gostei da badalada decisão da Champions League entre Bayern Munique e Paris Saint-Germain. Sim, estava calor no Maracanã. Sim, havia o peso da decisão. Sim, os dois elencos chegaram ao jogo exaustos por conta desse calendário insano em tempos de pandemia. O Santos completou 60 partidas na temporada. O Palmeiras conquistou o bi na 67ª exibição no ano. Favorito ao título do Mundial de Clubes da Fifa, o Bayern disputou 52 jogos na temporada equivalente à nossa.
Não fiquei surpreso com o plano de jogo do Palmeiras. Abel Ferreira foi perfeito e o time extremamente obediente. Marcou a exaustão liderado por Danilo. Aliás, que jogador. Tite estava no Maracanã. Viu in loco. Deve estar pensando em chama-lo para os duelos com a Colômbia e a Argentina, em março, pelas Eliminatórias para a Copa do Qatar-2022.
A postura do Santos, sim, surpreendeu. Achei que Cuca começaria a partida com Lucas Braga. Considerava a melhor opção. O técnico se perdeu na escalação e nos acréscimos da partida. Ele tem muita culpa na derrota do Santos. Tirou o time dos eixos nos minutos finais ao segurar a bola retardando a continuidade do jogo. Aí, não tem camisa de Nossa Senhora que ajude a interceder ao árbitro por ele para evitar a expulsão. Pior do que isso, só o péssimo exemplo de ir sem máscara para o meio da torcida em plena pandemia. Uma lástima.
Perplexo com o surto de Cuca, o Santos perdeu a concentração. Quando a final caminhava para a prorrogação, o herói improvável entrou em cena aos 53 minutos do segundo tempo. Inaugurada em 2019, a final em jogo único parece ter nascido para ser decidida nos acréscimos. Foi assim em Lima. Repetiu-se no Rio. Breno Lopes, 25 anos, era jogador do Juventude até 10 de novembro. Liderava a artilharia da Série B quando trocou o time gaúcho pelo paulista. Ele usou a cabeça para fazer o gol do título.
Breno Lopes entrou em campo porque Abel Ferreira escolheu coloca-lo em campo no lugar de Gabriel Menino. O que parecia absurdo virou passe de mágica. O mineiro de Belo Horizonte com passagem por Cruzeiro, São José-RS, Cerâmica e Joinville na base será lembrado para sempre como o autor do gol do bi. Iluminado, Abel Ferreira entrou para a história. É o segundo português a conquistar o título. Repete o feito de Jorge Jesus. Por sinal, a Champions League também tem dois lusitanos campeões: Artur Jorge (1987) e José Mourinho (2004 e 2010).
Zoado pelos rivais por não ter Mundial, ainda que se declare campeão da Copa Rio de 1951 conquistada ali mesmo, no Maracanã, o Palmeiras conquistou o direito de tentar novamente. Em 1999, perdeu para o fantástico Manchester United de Alex Ferguson. Vinte e um anos depois, pode ter pela frente o Bayern de Munique, em 11 de fevereiro. Antes, terá de passar por Tigres do México ou Ulsan Hyundai nas semifinais. Do outro lado, Al-Duhail, do atacante Dudu, e Al-Ahly disputam quem enfrentará o Bayern de Munique na outra semifinal.
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