Felipão pode ser bi aos 70 anos. Recordista, Antônio Lopes tinha 64 em 2005. Foto: Cesar Grecco/Palmeiras
Luiz Felipe Scolari é o marco de uma acirrada discussão no futebol brasileiro. Depois daquele Brasil 1 x 7 Alemanha, em 8 de agosto de 2014, houve cobrança para que os técnicos veteranos se reciclassem e praticamente uma campanha nacional por renovação nas pranchetas. Começaram a pipocar treinadores novatos na elite, Enquanto os “calouros” ganhavam espaço, os chamados “dinossauros” foram, aos poucos, entrando em extinção.
Em quatro anos, o mundo da bola deu voltas. O Campeonato Brasileiro tem um novo líder, o sétimo diferente em 2018. Por ironia do destino, o Palmeiras é comandado pelo treinador mais velho da Série A. Luiz Felipe Scolari tem 69 anos. É três meses mais velho do que o contemporâneo Paulo César Carpegiani, que briga na parte inferior da classificação para evitar o rebaixamento do Vitória.
Em 9 de novembro, Luiz Felipe Scolari completará 70 anos, praticamente o dobro da idade de Maurício Barbieri, que comandou o Flamengo até a 26ª rodada. Se levar o Palmeiras ao título, Felipão quebrará com sobras o recorde de Antônio Lopes. Em 2005, o Delegado foi campeão à frente do Corinthians aos 64 anos. O levantamento leva em conta as conquistas de 1971 em diante, ou seja, quando o país passou a ter oficialmente um campeonato.
O sucesso de Luiz Felipe Scolari é uma prova da bipolaridade dos clubes. Na largada do Campeonato Brasileiro, vários times apostaram no tal do sangue novo, inclusive o alviverde. Antecessor de Scolari, Roger Machado tem 43 anos. Scolari é 27 anos mais velho. O Flamengo liderou 13 rodadas com Maurício Barbieri, de 37. Agora, é escalado por Dorival Júnior, de 56. O Santos trocou as ideias do jovem Jair Ventura, 39, pela experiência de Cuca, 55.
Clubes como Botafogo (Zé Ricardo), Vasco (Alberto Valentim) e Atlético-MG (Thiago Larghi), Corinthians (Jair Ventura), Internacional (Odair Hellmann) sustentam o investimento nos novatos. Fluminense (Marcelo Oliveira), Cruzeiro (Mano Menezes), Grêmio (Renato Gaúcho) continuam fiéis à velha guarda, que tem em Luiz Felipe Scolari o seu maior escudeiro.
O possível título de Scolari pode até tirar do esquecimento profissionais como Levir Culpi e Vanderlei Luxemburgo. Nenhum dos dois trabalhou no país nesta temporada. Não foi por falta de oportunidade. Dos 12 gigantes do futebol brasileiro, apenas Grêmio, Inter e Cruzeiro não trocaram de técnico. Todos os outros nove demitiram e contrataram um novo profissional pelo menos uma vez em 2018. Scolari trabalha pela sobrevivência dele e dos profissionais deixados para trás em meio ao clamor por renovação.
A idade dos técnicos campeões brasileiros
2017 – Fábio Carille, 44 (Corinthians)
2016 – Cuca, 53 (Palmeiras)
2015 – Tite, 54 (Corinthians)
2014 – Marcelo Oliveira, 60 (Cruzeiro)
2013 – Marcelo Oliveira, 59 (Cruzeiro)
2012 – Abel Braga, 60 (Fluminense)
2011 – Tite, 50 (Corinthians)
2010 – Muricy Ramalho, 55 (Fluminense)
2009 – Andrade, 52 (Flamengo)
2008 – Muricy Ramalho, 53 (São Paulo)
2007 – Muricy Ramalho, 52 (São Paulo)
2006 – Muricy Ramalho, 51 (São Paulo)
2005 – Antônio Lopes, 64 (Corinthians)
2004 – Vanderlei Luxemburgo, 52 (Santos)
2003 – Vanderlei Luxemburgo, 51 (Cruzeiro)
2002 – Émerson Leão, 53 (Santos)
2001 – Geninho, 53 (Atlético-PR)
2000 – Joel Santana, 52 (Vasco)
1999 – Oswaldo de Oliveira, 49 (Corinthians)
1998 – Vanderlei Luxemburgo, 46 (Corinthians)
1997 – Antônio Lopes, 56 (Vasco)
1996 – Luiz Felipe Scolari, 48 (Grêmio)
1995 – Paulo Autuori, 39 (Botafogo)
1994 – Vanderlei Luxemburgo, 42 (Palmeiras)
1993 – Vanderlei Luxemburgo, 41 (Palmeiras)
1992 – Carlinhos, 55 (Flamengo)
1991 – Telê Santana, 60 (São Paulo)
1990 – Nelsinho Baptista, 40 (Corinthians)
1989 – Nelsinho Rosa, 52 (Vasco)
1988 – Evaristo de Macedo, 55 (Bahia)
1987 – Carlinhos, 50 (Flamengo)
1986 – Pepe, 51 (São Paulo)
1985 – Ênio Andrade, 57 (Coritiba)
1984 – Carlos Alberto Parreira, 41 (Fluminense)
1983 – Carlos Alberto Torres, 39 (Flamengo)
1982 – Paulo César Carpegiani, 33 (Flamengo)
1981 – Ênio Andrade, 53 (Grêmio)
1980 – Cláudio Coutinho, 41 (Flamengo)
1979 – Ênio Andrade, 51 (Internacional)
1978 – Carlos Alberto Silva, 39 (Guarani)
1977 – Rubens Minelli, 49 (São Paulo)
1976 – Rubens Minelli, 48 (Internacional)
1975 – Rubens Minelli, 47 (Internacional)
1974 – Mário Travaglini, 42 (Vasco)
1973 – Osvaldo Brandão, 57 (Palmeiras)
1972 – Osvaldo de Brandão, 56 (Palmeiras)
1971 – Telê Santana, 40 (Atlético-MG)
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