Adailton Martins foi artilheiro do Mundial Sub-20 1997 com 10 gols. Foto: Gustavo Pontes/Ascom Gama
Aos 44 anos, Adaílton Martins Bolzan vive uma fase diferente na carreira. Ex-aluno do Centro Técnico de Coverciano, uma escola de referência no futebol europeu localizada em Florença, na Itália. A academia concede a licença da Uefa. No velho normal, os candidatos a técnico ia duas vezes por semana às aulas presenciais durante um ano. Nesse período, trocava ideias com técnicos formados, preparavam e defendias suas teses ao término das instruções.
O técnico do Gama estudou, por exemplo, com Mauro Camoranesi, um dos campeões da Copa de 2006 com a camisa da Itália. Acompanhou de perto, também, a ascensão de Roberto Mancini ao cargo de treinador da Itália depois do vexame da Squadra Azzurra nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia 2018. A conversa a seguir é justamente sobre isso.
Ex-jogador do Parma, Verona, Genoa e Bologna no Campeonato Italiano, Adaílton Martins dá as impressões dele sobre o sucesso da Itália na primeira fase da Eurocopa e o “Mancinismo”. Os candidatos ao título não perdeu há 30 jogos. Marcaram sete gols e sofreram nenhum nos duelos contra Turquia, Suíça e País de Gales. Com a palavra, Adaílton…
Por que a Itália é a sensação da Eurocopa?
O Roberto Mancini começou com um trabalho muito legal. Eu estava na Itália nesse período. Tive a oportunidade de estar em Coverciano (Centro Técnico de Coverciano, escola referência no futebol europeu na Itália) fazendo uma parte do curso quando ele estava treinando. É uma ideia legal porque eles começaram a valorizar muito os jogadores jovens. Decidiram, realmente, mudar a filosofia da Itália e construir alguma coisa depois daquela eliminação para a última Copa do Mundo.
Qual é a nova filosofia?
Um estilo de jogo propositivo. São muito mais ofensivos. Eles são excelente na fase defensiva, isso faz parte do DNA da Itália. Faltava adquirir a outra parte, de não ser uma seleção especulativa, mas propor o jogo. O Mancini, que foi um jogador talentosíssimo, um atacante, criou essa nova filosofia, de ter coragem, de agredir, procurar o gol. É um período em que aparecem muitos jogadores jovens.
Mérito apenas do Mancini?
Isso é fruto de um grande trabalho, de todos. O Mancini é o primeiro que tem tempo para trabalhar e eles conseguiram o resultado. Com resultado é muito mais fácil de dar sequência ao trabalho. Dá tranquilidade, confiança. Hoje, a Itália voltou a ser uma seleção muito forte, competitiva.
Com Roberto Mancini, a Itália está invicta há 30 jogos. Igualou a marca do lendário técnico Vittorio Pozzo. É favorita ao título da Euro?
Temos que ver contra as grandes seleções. Eles não enfrentaram as melhores seleções, as mais tradicionais, nem nas Eliminatórias para a Euro nem para a Copa do Mundo. Ainda faltam esses desafios. Mas as acho que a Itália está preparada, vai incomodar muito na Euro e na próxima Copa do Mundo com a França, que, hoje, para mim, é a mais forte, além da Alemanha. São as seleções europeias mais fortes, estáveis, completas. Jogam um futebol muito rápido, moderno, mais até do que Inglaterra, Espanha e Portugal.
O que destaca na Itália?
A Itália tem uma transição muito rápida. Os atacantes ajudam na fase defensiva, mas exploram muito o espaço, jogam muito sem a bola, usam a profundidade nas costas dos zagueiros, isso dificulta muito a defesa adversária na hora de marcar. As seleções que jogam nesse nível estão um pouquinho acima das outras. Itália, França e Alemanha vão se enfrentar nessa Eurocopa e nós veremos quem vai se sagrar campeão. A gente brinca que é briga de cachorro grande. A França já enfrentou a Alemanha, saiu vitoriosa, mereceu, mas a Alemanha é muito sólida.
O Roberto Mancini começou com um trabalho muito legal. Eu estava na Itália nesse período. Tive a oportunidade de estar em Coverciano (Centro Técnico de Coverciano, escola referência no futebol europeu na Itália) fazendo uma parte do curso quando ele estava treinando. É uma ideia legal porque eles começaram a valorizar muito os jogadores jovens. Decidiram, realmente, mudar a filosofia da Itália e construir alguma coisa depois daquela eliminação para a última Copa do Mundo.
Que Eurocopa do Manuel Locatelli, hein…
É um menino que começou no Milan, meio que foi queimado porque o time estava em uma fase de reestruturação, mudança de presidência. O pessoal queimou um pouquinho a largada com ele. É muito talentoso. Ele arrumou espaço no Sassuolo, onde tem um treinador que é meu amigo, o (Roberto) De Zerbi, fantástico treinador, jovem também, e ali ele retomou as qualidade dele, a confiança no jogo.
Por que Locatelli está encantando?
Ele é um jogador extraordinário. Marca, tem chute, lançamento longo, é fisicamente muito forte, móvel, ele é um meia completamente moderno. Hoje, na Itália, é uma peça fundamental. O Jorginho é aquele que dá o tempo do jogo. O Locatelli é o meia que chega dentro da área, chuta de meia distância. É quase que um jogador completo para a posição.
Quem foram seus companheiros de escola no Centro Técnico de Coverciano?
Estudei com Camoranesi, que já era meu amigo e foi campeão da Copa de 2006; Marco Amelia também, goleiro; tinha o Paolo Cannavaro, que é irmão do Fábio, e hoje é auxiliar dele na China; o Luciano, que era Eriberto, brasileiro que jogou no Chievo e passou muito tempo lá na Itália, e muitos outros. A nossa turma era de 25 alunos, quase todos ex-jogadores. Isso agrega muito. Há troca de ideias, de opiniões, debates. Ajuda a crescer. São experiências de gente do campo e aprendemos a ajustar algumas coisas. Essa fase do curso foi muito proveitosa. Aprendi muito e, hoje, é colocar em prática tudo isso aqui no Gama.
O seu trabalho no Gama terá um pouquinho da influência de Coverciano?
Estamos começando um trabalho um pouquinho apressado porque não tivemos grande tempo. Cheguei aqui com o Ricardo Colbachini, não tivemos tempo de fazer uma pré-temporada, Estamos jogando e colocando um pouquinho a parte física. Agora vamos entrar também na parte tática porque não deu tempo. Ficou pra mim essa parte agora com a saída dele, que é um cara fantástico, profissional incrível que recebeu uma oportunidade irrecusável (para trabalhar com Abel Braga no Lugano da Suíça) e teve de aceitar. O processo do Gama começou com ele e vamos dar sequência. Vai ser importante para o Gama, jogadores, todo mundo.
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