Entrevista: Edivaldo Rojas Hermoza. Atacante brasileiro naturalizado boliviano calou a Argentina na abertura da Copa América 2011

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São Paulo — Ele nasceu em Cuiabá, é brasileiro, mas viveu um dos melhores momentos da carreira com a camisa da Bolívia na Copa América 2011. Edivaldo Rojas Hermoza calou a Argentina  ao marcar o primeiro gol daquela edição do torneio continental. Os hermanos entraram em desespero e quase perderam na estreia. Foram salvos por Agüero e escaparam do vexame no Estádio Único de La Plata. Aos 33 anos, o atacante do San Jose de Oruro até tentou convencer na bola o técnico Eduardo Villegas  a convocá-lo para o torneio no Brasil, mas uma lesão atrapalhou os planos de disputar a competição em “casa”. Naturalizado boliviano, ele decifra o adversário da Seleção Brasileira em entrevista ao blog e relembra o gol histórico de oito anos atrás.

O que esperar da Bolívia na estreia contra o Brasil?

É um time novo. Mistura de juventude e experiência. O que eles estão fazendo, agora, é renovação. Saíram vários jogadores que eram referências. A zaga é muito nova, mas tem futuro, projeção. O Marcelo (Moreno) é o líder do time, tem o Lampe, que é um bom goleiro, mas o pensamento está voltado para a renovação. A ideia é que eles ganhem experiência, acumulem jogos pela seleção para as Eliminatórias da Copa do Catar.

Fala um pouco sobre o treinador Eduardo Villegas.

Eu trabalhei com ele. Disputei uma Libertadores sob o comando dele no San Jose. Fui contratado e ele saiu, acabou indo para a seleção. Ele sempre era muito cotado porque é um dos mais vencedores na Bolívia. Ele gosta muito da parte física, cobra que os jogadores cumpram a parte tática. É muito detalhista.

A Bolívia chegou a investir até em técnico espanhol.

O Xabier Azkargota. Ele tomou conta da seleção, colocou a ideia dele. O curioso é que, na época, o campeonato aqui até parou para ele trabalhar com a seleção. Conseguiu levar a Bolívia para a Copa de 1994. Isso fez crescer a paixão pelo futebol aqui no país.

Mas depois disso, a Bolívia não voltou mais à Copa.

A Bolívia parou um pouco porque o pessoal que administra o futebol aqui não conhece muito do assunto. Não são sérios. Um ano atrás, não tinha nem presidente na federação somente briga entre os dirigentes. Nomearam um e tiraram. Uma confusão. Os caras não se importam muito com formação. Os clubes também não dão estrutura para os meninos, a comodidade que eu vejo nos grandes times do Brasil. Eles não acreditam muito nisso ou não querem fazer. Não revelamos mais bons jogadores. Falta investimento.

A experiência do Marcelo Moreno é o principal ponto de desequilíbrio?

O Marcelo Moreno é um matador. A experiência dele vai ajudar, mas ele precisa de companhia, de alguém que faça a bola chegar nele. Ele está ajudando bastante. Se as peças se encaixarem, acredito que a seleção vai crescer e beneficiar o Marcelo.

A Bolívia parou um pouco porque o pessoal que administra o futebol aqui não conhece muito do assunto. Não são sérios. Um ano atrás, não tinha nem presidente na federação somente briga entre os dirigentes. Nomearam um e tiraram. Uma confusão. Os caras não se importam muito com formação

Qual foi o seu sentimento ao calar a Argentina na abertura da Copa América 2011? Você fez o primeiro gol do torneio lá em La Plata no início do segundo tempo e o Agüero sofreu para empatar. Os donos da casa passaram um sufoco terrível naquele jogo de abertura.

Aquilo foi muito bom, uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha carreira. Joguei contra a Argentina do Messi, do Tévez, Agüero, Di María, e fiz aquilo. Calei um país inteiro ao fazer o primeiro gol da Copa América. Para eles e o mundo inteiro, a gente seria goleado. Tirar esse protagonismo deles foi muito bom, especial. Ficou guardado.

Por que você não foi chamado para a Copa América?

Perdi um pouco de espaço. Estava me recuperando na Libertadores, mas tive uma lesão.

Aquilo (gol na abertura da Copa América 2011) foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha carreira. Joguei contra a Argentina do Messi, do Tévez, Agüero, Di María, e fiz aquilo. Calei um país inteiro ao fazer o primeiro gol da Copa América. Para eles e o mundo inteiro, a gente seria goleado

A Bolívia pode repetir aquilo contra o Brasil?

Claro que pode. Ninguém acreditava na gente naquela época. Trabalhamos bastante, tínhamos um treinador bastante inteligente, o Gustavo Quinteros. Ele trabalhou pontos que poderíamos fazer a diferença. Nós captamos a ideia dele e fizemos um grande jogo. Nós poderíamos até ter vencido a Argentina naquele dia.

A Bolívia tem um Roberto Carlos inscrito na Copa América, lateral-esquerdo como o Roberto Carlos brasileiro. Conhece?

Eu não sei se tem a ver. É um menino que surgiu neste ano. Jovem, surgiu no Blooming. Esse clube está dando muita chance aos mais jovens. É novo, muito bom jogador. Que ele possa ser visto e saia da Bolívia para um time melhor. É lateral-esquerdo, Roberto Carlos… Deve ter alguma coisa a ver com o Roberto Carlos (risos).

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Marcos Paulo Lima

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