Dorival Júnior conhece Nenê desde a base do Etti Jundiaí: o início da carreira do reforço do São Paulo

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Nenê pode até não ser o reforço dos sonhos do São Paulo, mas a torcida tricolor deve ter uma certeza: Dorival Júnior conhece muito bem o meia desde o tempo em que era auxiliar-técnico do Etti Jundiaí — antigo nome do Paulista de Jundiaí. Era início do ano 2000. Dezoito depois, o destino uniu novamente Dorival Júnior e Nenê. Desta vez, no CT da Barra Funda.

Nenê jogava nas divisões de base do Etti Jundiaí. O técnico do time principal era Luis Carlos Ferreira, conhecido no futebol paulista como Rei do Acesso. Na época, o treinador tinha como auxiliar Dorival Júnior, testemunha ocular do surgimento de Nenê.

“O Nenê não era titular dos juniores e numa quarta-feira fomos fazer um coletivo com os profissionais que haviam sobrado e não jogariam a noite. Para completar as equipes dos que não foram convocados, chamamos alguns jogadores dos juniores, entre eles o Nenê”, conta Dorival Júnior em uma entrevista ao Esporte Interativo, em 2016. “Observando o treino, o treinador Luis Carlos Ferreira pediu para tirar o Nenê, pois estaria relacionado para o jogo dos profissionais logo mais. Ele entrou na partida e fez dois gols. No confronto seguinte, mais dois. Enfim…foi Santos, Palmeiras, Europa e não parou mais”, lembrou.

Ex-técnico do Brasiliense, Luis Carlos Ferreira costuma contar a mesma história sobre Nenê. “Ele era da base e teve um treino que juntei a garotada com os profissionais. O Nenê foi muito bem e me chamou a atenção. Coloquei junto com grupo que iria se concentrar para o jogo seguinte, contra o Paraná, pelo Brasileiro da Série C. Começou no banco e como estávamos bem na partida, dei uma oportunidade para entrar. O Nenê entrou muito bem e ainda fez dois gols. Ele tinha personalidade forte e espírito vencedor”, conta Luis Carlos Ferreira.

Homem de fé, Nenê costuma contar que Luis Carlos Ferreira foi uma espécie de anjo em sua vida. “Eu me converti (evangélico) no começo da carreira, tinha de 18 para 19 anos, estava para ser mandado embora do clube e Deus me mostrou em pouco tempo o que Ele poderia fazer. O treinador Luis Carlos Ferreira me levou para a concentração, mesmo não sendo titular. Lembro-me até hoje que era uma quarta-feira e, à noite, contra o Madureira, fiz dois gols, pela Série C, e não saí mais do time”, recordou em 2016 em entrevista ao jornal O Globo.

Dezoito anos depois, Dorival Júnior não é mais auxiliar de Luis Carlos Ferreira. O discípulo virou mestre. É um dos técnicos mais requisitados do país. Nenê já não é aquele garoto que Dorival viu surgir na base do Etti Jundiaí, Virou um baita meia, um camisa 10 indispensável no futebol brasileiro em tempos de vacas magras. O reencontro tem, sim, tudo para dar liga no São Paulo.

Marcos Paulo Lima

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