Dorival Júnior ativa modo copeiro em perseguição a recorde de Felipão

Compartilhe

Jamais menospreze um time comandado por Dorival Júnior na Copa do Brasil. O tricampeão do torneio com Santos (2010), Flamengo (2022) e São Paulo (2024) desembarcou no Centro de Treinamento Joaquim Grava em baixa depois do trabalho frustrado na Seleção, mas outra vez mostra a maior virtude no Corinthians: a capacidade de pacificar um clube em guerra. O Rei de Copas Luiz Felipe Scolari que se cuide. O único técnico tetracampeão na história do torneio pode, sim, ser alcançado pelo colega especialista no mata-mata nacional.

O Corinthians vive uma das maiores crises administrativas em 114 anos, mas tem a sorte de contar com um técnico capacitado para acalmar a Fiel em quatro jogos nas semifinais contra o Cruzeiro e em uma possível decisão contra o Fluminense ou o Vasco.

Embora o Corinthians tenha um time, não um elenco, Dorival Júnior tira leite de pedra. A campanha na Copa do Brasil tem triunfos contra Santos, Palmeiras e Athletico-PR, ou seja, três adversários competitivos em mata-mata, principalmente o Alviverde e o Furacão.

Além de organizar um time limitado, Dorival Júnior tem como virtude a capacidade de achar jogadores comprometidos com o plano emergencial. João Gomes dava suporte às estrelas do Flamengo na conquista da Copa do Brasil de 2022. Pablo Maia, Alisson e Rodrigo Nestor sacrificavam-se no São Paulo na campanha do título inédito no mata-mata nacional.

Durante a campanha, Dorival convenceu Gui Negão a virar solução diante de uma série de lesões. Não teve vergonha de usar quatro volantes e congestionar o meio de campo contra um time da Série B, o Athletico-PR, em vez de ousar um 4-2-4, como fez no desastroso planejamento tático do Brasil no Monumental de Núñez na derrota por 4 x 1 para a Argentina.

Adicionou sistema com três zagueiros ao repertório, algo raro na biografia tática dele. O Timão pode jogar no 3-4-1-2 ou no 4-3-1-2. Há opção mais defensiva como aquele 5-3-2 testado na vitória por 2 x 0 contra o Grêmio. O Corinthians é inferior ao Cruzeiro, mas Dorival conseguiu criar variáveis em 39 jogos no cargo e pode tirar uma dessas cartas da manga.

O primeiro confronto é o mais desafiador. Ele não contará com o meia lesionado Rodrigo Garro no Mineirão, em Belo Horizonte. O centroavante Yuri Alberto é dúvida em Belo Horizonte. Há um último detalhe importante. Em 2010, o Santos iniciou a disputa do título na Vila Belmiro e foi campeão no Barradão. Em 2022, o Flamengo encaminha a conquista em Itaquera e ganha nos pênaltis no Maracanã. Em 2023, o São Paulo consegue uma importante vitória no Maracanã e administra a conquista no Morumbi. Assim é Dorival no mata-mata nacional: osso duro de roer quando ativa o modo copeiro.

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolimadf

TikTok: @marcospaulolimadf

Marcos Paulo Lima

Posts recentes

  • Esporte

Messi, Mbappé e Haaland: pretérito imperfeito, presente e futuro da Copa

New Jersey — A Copa do Mundo teve uma terça-feira de passado, presente e futuro…

10 horas atrás
  • Esporte

Meu personagem do dia 6: Mbappé, nascido para a Copa do Mundo

New Jersey — A França acaba de dar um recado às outras 47 seleções da…

23 horas atrás
  • Esporte

Federações blindam Samir Xaud em meio a crise política na Copa do Mundo

New Jersey — De um lado, a mobilização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para…

1 dia atrás
  • Esporte

Podcast | Fast Foot #1: Carlo Ancelotti muda Brasil e sofre na estreia

Retomando uma tradição do Blog Drible de Corpo nas coberturas da Copa do Mundo, está…

2 dias atrás
  • Esporte

O alerta de 2010: Por que Ancelotti precisa ouvir Juan na Copa 2026

Aos 47 anos, Juan Silveira dos Santos é um peça importante no organograma da CBF.…

2 dias atrás
  • Esporte

Personagem do dia 5: o peso da moeda Lamine Yamal na Times Square

Perambulando por Nova York com meu tênis de andarilho, como diz a canção clássica do…

2 dias atrás