Dois centroavantes: a solução bem brasileira do lusitano Abel Ferreira

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Abel Ferreira não reinventou a roda no Palmeiras na goleada por 4 x 0 contra o Universitario, em Lima, no confronto de ida das oitavas de final da Libertadores. Duplas de ataque formadas por dois centroavantes são um recurso bem brasileiro. Há inúmeros exemplos.

A Seleção foi campeão da Copa de 1994 com Bebeto e Romário. Caiu nas quartas de final em 2006 com Adriano e Ronaldo. O Flamengo celebrou o Império do Amor com Vágner Lover e Adriano. Ganhou Copa do Brasil e Libertadores unindo Pedro e Gabigol na era Dorival Júnior. O mesmo técnico vinculou Gabigol a Ricardo Oliveira no Santos. O Vasco adaptou Roberto Dinamite e Romário no fim dos anos 1980.

A ideia de Abel Ferreira é usada lá fora também. Em 2017, a Juventus alcançou a final da Champions League contra o Real Madrid com dois centroavantes: o croata Mandzukic e o argentino Higuaín funcionaram sob o comando de Massimiliano Allegri. O italiano achou espaço para os dois.

A rica histórica do Palmeiras tem soluções parecidas com a fusão dos centroavantes Flaco López e Vitor Roque, protagonistas da goleada por 4 x 0 contra o Universitario no Estádio Monumental, em Lima, palco da decisão da Libertadores deste ano, em 29 de novembro.

Lá atrás, Leivinha funcionava como 8 e César Maluco na função de 9. Na Série B de 2003, Edmilson e Vágner Love levaram o alviverde ao título e de volta à elite. A própria era Abel tem parcerias como a de Breno Lopes e Endrick. Flaco fez par com Endrick e com Rony. A junção mais brilhante remete a Edmundo e Evair, dois jogadores com instinto terminal para o gol. Tanto que mais tarde, em 1997, Evair virou arco e Edmundo flecha no Vasco.

Abel Ferreira configurou o Palmeiras no sistema 4-4-2. Do meio para a frente, Mauricio cuidava do lado direito na armação e Sosa posiciona-se à esquerda. Emiliano Martínez e Lucas Evangelista formavam um outro par, o de volantes à frente da defesa em linha de quatro composta por Giay, Gustavo Gómez, Micael e Piquerez. Era 3-4-1-2 na Copa.

Um detalhe importante tirou o peso das costas do Palmeiras logo no início do jogo e curou um trauma. Gustavo Gómez converteu um pênalti no primeiro gol contra o Universitario. Erros se repetiram em partidas importantes nesta temporada com batedores diferentes. Raphael Veiga perdeu contra o Corinthians. Estevão errou contra o Corinthians e o Ceará. Piquerez falhou diante do Flamengo. O xerifão saiu lá de trás e fez. E se tivesse errado?

Ao acertar, Gustavo Gómez deu paz ao Palmeiras para consolidar o domínio diante de um frágil Universitario. Flaco López e Vitor Roque se procuraram e foram construindo a goleada na classificação antecipada às quartas de final contra River Plate ou Libertad. Ou alguém acredita em um milagre do Universitario por 4 x 0 para forçar os pênaltis em São Paulo?

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Marcos Paulo Lima

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