Ganso disputou só um torneio oficial com a Seleção: a Copa América de 2011. Foto: Mowa Press
O voto de Tite em Modric no Fifa The Best, o prêmio de melhor do mundo oferecido pela entidade máxima do futebol, é simbólico. O croata é o jogador que faltou ao técnico da Seleção Brasileira nos dois anos de preparação para a Copa da Rússia. O ritmista, como Adenor definiu em uma das convocações. Pensou em Diego e Lucas Lima, por exemplo. No fim das contas, não relacionou nenhum dos dois entre os 23. Talvez, o sonho frustrado de Tite seja um jogador que está de malas prontas para começar uma nova vida no futebol francês.
Paulo Henrique Ganso tem 28 anos. Nos próximos quatro, terá a última chance de disputar uma Copa. Em 2010, constou na lista dos suplentes de Dunga para o Mundial da África do Sul. Sob o comando de Mano Menezes, teve várias oportunidades, de 2010 a 2012, mas ficou para trás em 2014. Também foi incapaz de seduzir Dunga e Tite no último ciclo e nem sequer foi testado na caminhada rumo à Rússia. Chegou a passar uma temporada inteira sem disputar uma partida oficial.
Tite teve (e tem) interesse em Paulo Henrique Ganso. Conversou pessoalmente com o jogador em uma visita ao Sevilla. Na época, também observou o lateral-direito Mariano. Em entrevista ao diário A Bola, de Portugal, no ano passado, o treinador falou sobre a situação do meia. “Já conversei com Ganso. Disse, logo no início da conversa: ‘Você é o jogador que me obrigava a dar uma orientação especial para o Ralf (ex-volante do Corinthians) nos jogos contra o Santos e, posteriormente, contra o São Paulo’. Ele é um meia ofensivo que não pode ter espaço para jogar, é muito criativo. A capacidade de assistência dele é impressionante”, elogiou.
Outra prova do interesse de Tite em Ganso é a investigação familiar do jogador. A comissão técnica tentou entender o motivo do fracasso do jogador na passagem pelo Sevilla. Na época, o técnico justificou. “Ele tem uma filha com menos de 30 dias, está num processo de adaptação, que também é um processo familiar. O Daniel Alves, por exemplo, demorou um ano e meio para desenvolver o futebol dele no Sevilla. É questão de tempo”, apostou.
“Você é o jogador que me obrigava a dar uma orientação especial para o Ralf (ex-volante do Corinthians) nos jogos contra o Santos e, posteriormente, contra o São Paulo”
Tite, para Ganso, numa conversa com o jogador no Sevilla
O fato é que o tempo passou. Ganso perdeu três Copas do Mundo. A chance de não ficar fora da quarta, no Catar, em 2022 — quando terá 32 anos —, depende do desempenho dele no modesto Amiens, da França. O craque não fará milagre num time que só tem no currículo um título na Série C e joga num acanhado estádio para 12 mil pessoas. O troféu é ajudar o time a permanecer na Ligue 1. O maior título de Ganso, a sequência de jogos.
Ganso desembarcou no Sevilla em 2016. Não funcionou sob os comandos de Jorge Sampaoli, Eduardo Berizzo, Vincenzo Montella, Joaquín Caparrós, e estava fora dos planos de Pablo Machín. A missão de ressuscitá-lo para o futebol e, quem sabe, para a Seleção Brasileira, pertence agora a Christophe Pélissier, um técnico francês de 52 anos que adora o sistema tático 4-2-3-1. O mesmo usando pelo Santos nos bons tempos de Ganso, com Robinho de um lado, Neymar do outro e André ou Zé Love na frente.
Tite mostrou mais de uma vez que não tem preconceito. Levou para a Copa um jogador empregado na China. Portanto, cabe a Paulo Henrique Ganso recuperar um pouquinho do bom futebol para usar o nanico Amiens como trampolim para a primeira chance com o técnico da Seleção. Provar que pode ser o “Modric” do Adenor, o ritmista verde-amarelo do Tite, são outros quinhentos…
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