Candidato a melhor do torneio, Akram Afif foi campeão asiático sub-19 e brilha na da Copa da Ásia. Foto: AFP
Os convidados de honra da Conmebol para a Copa América deste ano, de 14 de junho a 7 de julho, no Brasil, estão em evidência. Japão e Catar decidirão a Copa da Ásia. Dos dois candidatos ao título nesta sexta-feira, o anfitrião do Mundial de 2022 é o que mais chama a atenção. É a melhor história do futebol nos últimos seis meses, ou seja, desde o vice da Croácia na Copa do Mundo da Rússia. A seleção principal do Catar jamais havia chegado tão longe em uma competição oficial de futebol. Brilha no momento em que a nação está isolada pelo embargo dos vizinhos árabes. Torcedores e jornalistas foram impedidos de ir ao torneio. O castigo por despachar os donos da casa foi a chuva de chinelos no gramado — considerada a maior das ofensas na cultura daquela região.
A tensão política é tão grande que os Emirados Árabes Unidos tentam eliminar o Catar no tapetão. Acusam a escalação irregular do artilheiro Almoez Ali, nascido no Sudão; e de Al Rawi, cujo país de origem é o Iraque. Ali é o único que entrou em campo na semifinal. O estatuto da Fifa estabelece diz que um jogador que troca de seleção nacional deve provar que um dos país ou avós nasceram no país em questão; ou ter morado no país (neste caso, o Catar) por cinco anos depois de ter completado 18 anos. Ali tem 22 anos. Rawi, 21. A Associação Asiática de Futebol (AFC) analisa o imbróglio.
Dentro das quatro linhas, parte do sucesso do Catar é impulsionado por uma conquista de cinco anos atrás. Em 2014, o país faturou o Campeonato Asiático Sub-19 ao derrotar a Coreia do Norte, em Myanmar. O técnico era justamente o protagonista da goleada por 4 x 0 na semifinal desta terça-feira contra os anfitriões — os Emirados Árabes Unidos. O catalão Félix Sánchez Bas desembarcou no Catar em 2006 para trabalhar na Aspire Academy, ação lançada em 2004 numa parceira com o Projeto Goal da Fifa para desenvolver o futebol no Catar. Sete jogadores formados no projeto entraram em campo na semifinal.
Félix Sánchez Bas subiu degrau por degrau. Ajudou a pinçar talentos na Aspire Academy, comandou as seleções sub-19, sub-20 e sub-23, e lidera a seleção principal apoiado por uma legião de espanhóis: Sergio Alegre, Alberto Mendez-Villanueva e Carlos Domenech. Dos 23 jogadores convocados para a Copa da Ásia, seis participaram da conquista do Asiático Sub-19 em 2014: os goleiros Youssef Hasan e Mohammed Al-Bakri; o defensor Tameem Al-Muhaza; o meia Salem Al-Hajri; e os atacantes Akram Afif e Almoez Ali, artilheiro isolado da Copa da Ásia. Seis jogadores não nasceram no Catar, mas apenas dois não foram criados no país: o português Pedro Correia e o argelino Khoukhi.
INVICTOS
Fase de grupos
Catar 2 x 0 Líbano
Coreia do Norte 0 x 6 Líbano
Arábia Saudita 0 x 2 Catar
Oitavas de final
Catar 1 x 0 Iraque
Quartas de final
Coreia do Sul 0 x 1 Catar
Semifinal
Catar 4 x 0 Emirados Árabes Unidos
Final
Japão x Catar
A campanha do Catar na Copa da Ásia é impressionante: seis vitórias, 16 gols marcados e nenhum sofrido. O título inédito pode ser invicto. Há um conceito espanhol no estilo de jogo. Prova disso é a posse de bola: 70% no confronto com os Emirados Árabes Unidos. Félix Bas tem facilidade para mudar o sistema de jogo. O posicionamento em campo confundiu Líbano, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iraque, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos. O treinador não é preso a um sistema tático. Consegue começar no 4-2-3-1 e transformá-lo em 3-5-2 ou 5-3-2. Totalmente camaleão.
O Catar é a quarta seleção mais jovem da Copa da Ásia. Média de 25,2 anos. Apenas dois jogadores têm mais de 30 anos. Artilheiro isolado do torneio, o centroavante Almoez Ali tem 23 anos. Com oito gols, igualou o recorde do iraniano Ali Daei, autor de oito na edição de 1996. Basta marcar uma vez na final de sexta-feira para o país se isolar no topo. Akram Afif está comendo a bola. É provável até que o camisa 11 seja eleito o melhor jogador da competição continental.
Em tese, o Catar e o Japão são as primeiras seleções classificadas para a Copa das Confederações 2021. A Fifa ainda não confirmou o evento teste no ano anterior à Copa de 2022. Entretanto, se houver a competição, o Catar está classificado como anfitrião e o Japão no como campeão (ou vice) da Copa da Ásia.
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