Atlético-PR é o quarto time brasileiro a conquistar a Copa Sul-Americana. Foto: Nelson Almeida/AFP
E daí que é a segunda competição de clubes mais importante da América do Sul? E daí que “é a segunda divisão da Libertadores”, como desdenhou o presidente do Atlético-MG, Sérgio Sette Câmara, em maio, depois da eliminação precoce contra o San Lorenzo. A Copa Sul-Americana é título, sim. Quer ver uma diferença? O Galo esnobou o torneio com a desculpa esfarrapada de que priorizaria o Campeonato Brasileiro. Terminou a Série A em sexto lugar e será submetido a uma fase preliminar para ter acesso à fase de grupos. A conquista nos pênaltis contra o Junior Barranquilla credenciou o Furacão diretamente para o torneio, sem escalas ou conexões. Felizmente, o cartola do Galo reviu a declaração desastrosa nesta semana.
O primeiro título internacional do Atlético-PR foi planejado. Poderia ter acontecido em 2005 na Libertadores. O São Paulo impediu. Naquela época, a Arena da Baixada fez falta. O primeiro jogo foi disputado no Beira-Rio, em Porto Alegre. A troca de atmosfera fez toda a diferença. O Furacão empatou por 1 x 1 em “casa” e foi goleado por 4 x 0, no Morumbi. Quase rolou também em 2006. O time rubro-negro chegou às semifinais da Sul-Americana, mas caiu diante do Pachuca, do México, e desperdiçou a oportunidade de decidir o título contra o Colo-Colo.
Há 23 anos, em 1995, o Atlético-PR era campeão da Série B do Campeonato Brasileiro. O marco do projeto de se tornar um dos grandes clubes do país. O século virou a chave do clube. Em 2001, com a conquista da Série A em cima do São Caetano, igualando a façanha do arquirrival Coritiba, que havia sido campeão em 1985. Três anos depois, outra prova de que o crescimento era sustentável com o vice-campeonato na era dos pontos corridos. Terminou a edição de 2004 atrás apenas do campeão Santos. Em 2013, terminou em terceiro.
A Copa do Brasil também faz parte do plano de crescimento do Atlético-PR. Esteve na final em 2013. A ausência da Arena da Baixada, fechada por causa das reformas para a Copa de 2014, voltou a pesar. O Flamengo segurou o empate na Vila Capanema e triunfou no Maracanã. Tudo isso um ano depois de o clube amargar novamente a Série B e regressar à elite.
O percurso até a conquista da Copa Sul-Americana teve ainda vices amargos como o da Copa Sul-Minas, em 2002, contra o Cruzeiro, e a derrota para o Fluminense na decisão da Primeira Liga. Mas, apesar de algumas insanidades da diretoria, a marcha rumo ao sonho do título internacional não se perdeu. De tanto bater na trave, a bola entrou.
Por sinal, havia entrado nas divisões de base, com a formação de talentos como o meia Jadson (Corinthians), o volante Fernandinho (Manchester City), o lateral Alex Sandro (Juventus), o goleiro Neto (Valencia), o atacante Dagoberto (Londrina), o pentacampeão Kléberson. Sem contar a estrutura. Em 2010, o Centro de Treinamento do Caju — e não a Granja Comary — foi usado pela Seleção Brasileira na aclimatação antes do embarque para a Copa da África do Sul. Não escreve de orelhada, de ouvi falar. Conheci o CT. Cobri a preparação do Brasil da apresentação, em Curitiba, ao adeus em Porto Elizabeth, depois da eliminação contra a Holanda.
Portanto, o título da Sul-Americana fez valer a lei da semeadura. O clube finalmente está colhendo neste ano o que plantou graças ao legado do técnico Fernando Diniz e da competência de Tiago Nunes, campeão paranaense e da competição continental na mesma temporada. Há oito anos, ele levava o Rio Branco ao título estadual no Acre. O Atlético-PR desbancou o Newell’s Old Boys na primeira fase. Humilhou o tradicional Peñarol, do Uruguai, por 6 x 1 no placar agregado. Eliminou o Caracas nas oitavas de final, o Bahia nas quartas, o Fluminense nas semifinais e o bom Junior Barranquilla na finalíssima. A equipe colombiana foi melhor, viu a bola decisiva do jogo passar várias vezes pelos pés, inclusive numa cobrança de pênalti, mas o dia do Atlético-PR finalmente havia chegado. Atlético, Atlético, desde ontem, a América conhece o teu valor.
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