
Carlo Ancelotti tem uma característica que o diferencia de alguns técnicos recentes da Seleção em Copas: a coragem para escalar jovens. Você dirá: “Mas e o Endrick?” Ele é um deles. Ele é um deles. Nosso bate-papo aqui é sobre o outro, o Rayan.
Aos 19 anos, o atacante revelado pelo Vasco será o primeiro jogador de 19 anos a iniciar uma partida como titular do Brasil em uma Copa do Mundo desde Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, há 60 anos, no Mundial de 1966.
Hoje colunista da Folha, Tostão ainda era um garoto quando iniciou a partida contra a Hungria na segunda rodada. Vicente Feola confiou no menino do Cruzeiro, inscrito com a camisa 20, e não se decepcionou. A Hungria venceu por 3 x 1 em Liverpool, mas Tostão marcou o único gol brasileiro no Goodison Park e confirmou o potencial que o levaria ao título no México quatro anos depois.
Carlos Alberto Parreira não colocou Ronaldo em campo em 1994. Dunga não quis levar Neymar em 2010. Vinicius Junior passou longe da lista de Tite em 2018. Carlo Ancelotti trouxe à América do Norte dois jogadores sub-20: Rayan e Endrick. Ambos estrearam e disputaram a vaga do lesionado Raphinha com Luiz Henrique nos últimos treinos.
O italiano desembarcou em Miami praticamente cravando a escalação de Rayan na sala de conferências do Hard Rock Stadium. Ele atribui a opção pelo jogador do Bournemouth a um quesito importante do seu sistema de jogo: a amplitude. O Brasil perdeu essa característica na direita com a coleção de problemas no setor: Wesley, Éder Militão, Vanderson, Estêvão, Rodrygo e agora Raphinha. O desafio é reinventar o setor amaldiçoado.
“A amplitude é um desses detalhes importantes. Rayan entrou no lugar de Raphinha e fez um bom jogo. Tem muito potencial nesse aspecto. Tenho outros jogadores que podem se adaptar ao sistema, mas, se precisamos de amplitude, Rayan pode cumprir esse papel.”
Rayan começou na extrema direita no Vasco e migrou para a função de falso 9 sob o comando de Fernando Diniz. Deu tão certo que ele foi vendido ao Bournemouth por 28,5 milhões de euros e sairá muito mais valorizado da Copa do Mundo não apenas pelo investimento de Ancelotti nele, mas também pelo que produziu na primeira temporada na Inglaterra.
Nascido em 3 de agosto de 2006, poucas semanas após a Copa do Mundo da Alemanha, o carioca fez cinco gols e deu duas assistências em 15 jogos na primeira temporada da Premier League. Ancelotti trabalhou na Inglaterra à frente de Chelsea e Everton.
Conhece o nível de exigência da liga mais badalada do planeta. Se Rayan suportou a pressão da Premier League aos 19 anos, por que temeria substituir Raphinha em uma partida decisiva de Copa do Mundo? Para Ancelotti, a resposta parece simples. Bola nele!
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