Carlos Queiroz perdeu para a Argentina de Messi nos acréscimos na Copa 2014. Juan Mabromata/AFP
São Paulo — Há quem sustente a tese de que os treinadores brasileiros não trabalham fora do país por causa da barreira do idioma. Conversa fiada. O português Carlos Queiroz também fala o idioma de Camões, comanda a vizinha Colômbia e começou a Copa América fazendo um barulho danado lá em Salvador.
Há quem insista em menosprezar os treinadores patrícios. Queiroz mostrou mais uma vez na vitória deste sábado sobre a Argentina, por 2 x 0, que os professores lusitanos merecem, sim, respeito. O triunfo foi uma espécie de vingança pessoal do discípulo do escocês Alex Ferguson. Há seis anos, o Irã, comandado por Queiroz, resistiu bravamente até os 46 minutos do segundo tempo no Mineirão, quando Messi fez o gol da vitória dos hermanos, no Mineirão, na fase de grupos da Copa do Mundo.
Neste sábado, a Colômbia de Carlos Queiroz conseguiu deter a bagunçada Argentina de Lionel Scaloni. Aliás, é impressionante o que a Associação de Futebol Argentina faz com a seleção bicampeã do mundo e, consequentemente, com o jogador eleito cinco vezes número 1 do planeta. Um ano depois da eliminação contra a França nas oitavas de final da Copa da Rússia, a esquadra continua sendo comandada por um interino. Não, AFA, a Argentina não pode ser tratada como times do Brasileirão, aqueles que mandam o treinador embora, dão a prancheta a um interino e torcem para dar certo.
A incompetência para seduzir treinadores como Diego Simeone, Maurício Pochettino, Marcelo Gallardo, Eduardo Berizzo, ou até mesmo para recontratar José Pékerman, é inaceitável. Numa boa, Messi deveria dizer que não defenderá a seleção até que os cartolas devolvam o mínimo de dignidade a uma camisa tão pesada do futebol mundial. A Argentina pode até encerrar o jejum de títulos nesta Copa América — não conquista desde 1993 — mas será na base da desorganização. Planejamento zero.
Mas voltemos a falar sobre os treinadores portugueses. Fernando Santos é o atual campeão da Eurocopa. Acaba de faturar a primeira edição da Liga das Nações ao derrotar a Holanda.
Leonardo Jardim guiou o Monaco ao título do Campeonato Francês na temporada 2016/2017. Foi a última vez que o troféu na Ligue 1 não terminou nas mãos do Paris Saint-Germain.
Discípulo de José Mourinho, André Villas-Boas brindou o Porto com a conquista da Uefa Europa League em 2010/2011. Arrematou o Campeonato Russo em 2014/2015 pelo Zenit São Petersburgo.
Tricampeão ucraniano à frente do Shakhtar Donetsk, Paulo Fonseca esteve cotado para assumir a Juventus.
A temporada 2018/2019 do Campeonato Inglês, a Premier League, a liga nacional mais badalada do mundo, começou com três técnicos portugueses: José Mourinho (Manchester United), Marco Silva (Everton) e Nuno Espírito Santo (Wolverhampton). Paulo Sousa acabou o Francês à frente do Bordeaux.
O Flamengo receberá Jorge Jesus nesta segunda-feira para o início da intertemporada. Antes, Paulo Bento e Sergio Viera passaram por aqui à frente, respectivamente, do Cruzeiro e do Athletico-PR.
Isso sem falar de mercados periféricos do futebol mundial. Jesualdo Ferreira, por exemplo, acaba de levar o Al Sadd ao título da Qatar Stars League, como é chamada a liga nacional. Vitor Pereira é terceiro colocado no Campeonato Chinês à frente do Shangai SIGP, dos brasieliros Elkeson, Hulk e Oscar.
O Brasil continua sendo o maior exportador de talentos para a indústria do futebol mundial, mas Portugal conseguiu o que sua ex-colônia ainda não fez: espalhar treinadores pelas principais ligas nacionais do mundo. Há quem use a desculpa de que o idioma atrapalha, mas vale lembrar: os treinadores portugueses também falam a língua de Camões.
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