Cuca e Dorival Júnior são as novas apostas de Corinthians e São Paulo depois das demissões de Lázaro e Ceni
Sócios da palavrinha crise, Corinthians e São Paulo agiram de maneira idêntica nesta semana. Demitiram técnicos jovens na profissão e apostam em profissionais experientes. Iniciante, Fernando Lázaro deu lugar a Alexi Stival, o Cuca. Na estrada desde 2017, o ex-goleiro Rogério Ceni perdeu o emprego pela segunda vez no time do coração. Dorival Júnior assume a prancheta.
A opção dos dois clubes é por treinadores rodados. Ambos tiveram contrato de trabalho com 12 dos 20 times da Série A deste ano. Sucessor tricolor, Cuca acumula passagem por 12 clubes distintos da primeira divisão na temporada. Ambos são os maiores “ciganos” do Brasileirão.
Aos 60 anos, Dorival Júnior trabalhou no Flamengo, Fluminense e no Vasco. Em São Paulo, passou por Santos, Palmeiras e volta a assumir o time do Morumbi. Liderou Cruzeiro e Atlético em Minas, trabalhou no Internacional e teve vínculo com Athletico-PR, Coritiba e Fortaleza.
Cuca é outro nômade do Brasileirão. O Corinthians é novidade no currículo. Antes, havia trabalhado no Santos, São Paulo e no Palmeiras. No Rio, esteve à frente de três dos quatro gigantes: Flamengo, Fluminense e Botafogo. Tomou as rédeas de Atlético-MG e Cruzeiro, esteve no Grêmio e passou também por Goiás e Coritiba.
O São Paulo repete a escolha de 2017. Há seis anos, o clube também demitiu Rogério Ceni apontou Dorival Júnior como sucessor. O treinador desembarca no CT da Barra Funda campeão da Copa do Brasil e da Libertadores no ano passado pelo Flamengo. O título mais viável pode ser o mata-mata nacional. Em tese, o elenco não tem fôlego para acompanhar os favoritos no Brasileirão. Investir na conquista inédita é uma boa alternativa para o São Paulo.
Em Itaquera, Cuca é mais questionado pela vida pregressa do que pelo currículo recente. Em 2021, ele guiou o Atlético-MG às conquistas do Campeonato Mineiro, da Copa do Brasil e do Brasileirão. O Galo só não alcançou a final da Libertadores porque o Palmeiras não permitiu.
A resistência da torcida do Corinthians é mais do que válida. Nos anos 1980, o então jogador Cuca foi condenado por envolvimento em estupro de uma menina de 13 anos em uma viagem do Grêmio à Suíça. A escolha da diretoria contradiz o engajamento do clube do povo justamente com questões como a violência contra a mulher. Hoje, o Corinthians é referência no futebol feminino não somente no país como na América do Sul e no mundo. Portanto, a decisão soa como contrassenso e certamente será um dos temas da entrevista coletiva do treinador. Cuca já falou publicamente sobre o tema, admitiu a participação, mas não se aprofunda no tema e muito menos levanta a bandeira de forma engajada no combate ao problema.
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