Corinthians mantém roteiro inofensivo contra o Boca: ataque ainda não fez gol na Libertadores

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Em circunstâncias normais, Fábio Santos cobraria o pênalti que poderia ter dado a vitória ao Corinthians no empate sem gols com o Boca Juniors, na Neo Química Arena, no duelo de ida das oitavas de final da Libertadores. O batedor oficial não estava em campo naquele instante. Ocupava o banco de reservas por opção do técnico Vítor Pereira. Só entrou no fim do jogo no lugar de Willian. Fábio Santos seria bola de segurança na marca da cal. Cobrador substituto na ausência do lateral, Róger Guedes deveria levar em conta a quantidade de problemas do técnico português para escalar o time antes da paradinha desnecessária e do displicente chute à meia altura defendido pelo goleiro especialista em pênaltis Agustín Rossi. Defendeu seis de 11 no tempo regulamentar com a camisa xeneize. Ele também é um mostro em decisões por pênaltis. Pegou 13 de 44.

Quem não aceita a reserva, bate o pé para jogar em um setor específico ou se acha mais do que é tem que aproveitar uma oportunidade como a de hoje para autoafirmação. O camisa 9 falhou. Em vez de pilhar, frustrou a Fiel. O ataque segue inofensivo. Dos cinco gols do time na Libertadores, nenhum foi marcado pelos homens da linha de frente. São dois do volante Maycon, um do volante Du Queiroz, um do meia Ádson e um contra. O Boca Juniors não somente escapou de sofrer gol como tentou colocar as asas de fora e obrigou Cássio — um dos melhores em campo — a protagonizar milagres. Aliás, que exibição do ídolo corintiano. E ainda há quem perturbe a família do cara com ameaças de quem é tudo, menos torcedor.

Muito desfalcado, o Corinthians foi uma colcha de retalhos. Lesionados, Maycon, Du Queiroz e Renato Augusto deixaram o meio de campo carente de imaginação. Willian fez um partidaço, tentou conectar os setores da equipe, mas sentiu falta de alguém para auxiliá-lo na armação. Esperava-se que Giuliano colaborasse, porém ele esteve muito abaixo do esperado. Enquanto isso, Gustavo Mantuan se desdobrava em várias funções mostrando o tamanho da perda dele com a iminente transferência para o Zenit na transação envolvendo Yuri Alberto. Por sinal, o centroavante assistiu ao jogo, em Itaquera.

A quantidade de desfalques deixou Vítor Pereira numa encruzilhada no plano tático. Abriu mão de Fágner no apoio para tê-lo praticamente como terceiro zagueiro pela direita a fim de melhorar a saída de bola a três do Corinthians. Ele ficava preso ao lado de João Victor e Raul Gustavo. Com isso, Mantuan e Lucas Piton viravam alas. O plano ruiu depois da contusão de Fágner. A peça-chave nem retornou para a etapa final. Bruno Méndez não manteve o padrão.

O técnico Sebastián Battaglia certamente viu o vídeo da atuação kamikaze do Santos na casa do Corinthians no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil e escolheu ser pragmático. O Boca Juniors não abriu mão da obediência ao roteiro para sair vivo de São Paulo. Prova disso foi a comemoração dos jogadores depois da partida. Se não fosse Cássio, a proposta poderia até ter sido premiada com a vitória, mas não seria justo. O empate por 0 x 0 em um duelo abaixo do esperado, com alguns trechos dignos de pelada, deixa a série aberta.

O Corinthians tem uma semana para esvaziar o departamento médico e poupar o máximo que puder no fim de semana contra o Fluminense, no Maracanã, para não arrumar mais problemas. Vítor Pereira sabe que não bastará ter a bola por 55% do tempo em La Bombonera se o Timão não for insinuante, minimamente ofensivo para sair de Buenos Aires classificado. A tendência é que o Boca saia para o jogo e ceda espaços. A defesa argentina não é confiável e costuma levar pelo menos um gol em casa.

O problema é que o inofensivo Corinthians só fez cinco gols em sete jogos nesta Libertadores. Nenhum de atacante! Os autores foram Maycon (2), Du Queiroz, Ádson e Caldeira, do Deportivo Cáli, contra. Por isso o pênalti desperdiçado pelo marrento Róger Guedes é ainda mais inaceitável.

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Marcos Paulo Lima

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