Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 4 min de leitura
Como um elogio de Filipe Luís ao Estudiantes explica a eliminação do Flamengo
Antecessor de Leonardo Jardim alertou para a capacidade do time argentino de cobrir o campo taticamente, inclusive com um jogador a menos, como na queda do atual campeão nesta quinta
Repito o que escrevi há uma semana depois do empate por 0 x 0 em La Plata. O ex-técnico do Flamengo, Filipe Luís, fez um alerta sobre o Estudiantes ao eliminar o time argentino nos pênaltis nas quartas de final da Libertadores no ano passado:
“O que mais me surpreende é o quanto eles conseguem cobrir de campo, com sacrifício. Às vezes, em inferioridade numérica, um atacante marcando dois, três jogadores, e isso faz com que seja complicado”, elogiou Filipe Luis no ano passado depois de eliminá-los por 4 x 2. Barba Domínguez comandava o Estudiantes à época. Cacique Medina herdou a prancheta e o conceito.
O sucessor Leonardo Jardim deve habitar em um mundo à parte para não ter visto, lido ou ouvido o alerta. O Estudiantes fez nos jogos de ida e volta das semifinais exatamente o que Felipe Luís detectou há um ano. A organização defensiva do time de Cacique Medina impediu o Flamengo de balançar a rede em 180 minutos até com um jogador a menos – e castigou o atual campeão nos pênaltis diante de 72 mil torcedores. Assim como em 1968, o Estudiantes enfrentará o Palmeiras na decisão da Glória Eterna em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai.
O paupérrimo repertório de Leonardo Jardim ficou totalmente exposto na etapa final. Em tese, a expulsão de Baltasar Rodríguez deixaria o Flamengo mais perto da classificação. Só que não. A única rota do Flamengo para o gol era acionar Samuel Lino ou cruzar a bola para dentro da área nas mãos do goleiro Muslera. Muito pouco. Foi assim até Lino deixar o campo exausto para a entrada de Gonzalo Plata.
Se estava ruim com única jogadinha de Leonardo Jardim, piorou na base do abafa. O Flamengo tinha a posse da bola, mas era incapaz de ser vertical. Não havia trama pela direita e muito menos pelo centro. Em um raro lampejo, Lucas Paquetá deu uma cavadinha, deixou Plata em condição de marcar e viu Muslera operar um milagre.
À medida em que a areia da ampulheta baixava e o Flamengo não fazia gol, o Estudiantes ficava grandão exatamente como descreveu Filipe Luis. “Às vezes, em inferioridade numérica, um atacante marcando dois, três jogadores, e isso faz com que seja complicado”. Quando a proteção falhava, Muslera tranquilizava o bloco defensivo.
O goleiro comandava a cera impune dentro das quatro linhas e o técnico Cacique Medina ganhava tempo a cada placa de substituição. O juiz economizou nos acréscimos de cinco minutos e deixou o Maracanã tenso nos pênaltis. Antes do início da decisão, os jogadores abraçavam Muslera com a certeza de que aquele era o momento reservado para ele.
Jorginho não costuma perder pênalti no tempo regulamentar. Em decisões por pênaltis, sim. Ele errou a primeira cobrança da Itália contra a Inglaterra na final da Euro-2020, mas foi salvo pelo dia inspirado do goleiro Donnarumma valendo taça em Wembley. Lucas Paquetá foi displicente na cobrança e Bruno Henrique nunca teve isso como ponto forte.
A soberba rubro-negra foi punida. A de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, por ter demitido o técnico Filipe Luís no vestiário depois de um início de temporada trôpego causado pelo planejamento desastroso do departamento de futebol no que menos interessava, o Carioca. O risco de disputar o torneio da morte abalou a Gávea e o Ninho do Urubu. Vão para a conta de Bap as eliminações contra o Vitória na Copa do Brasil e o Estudiantes.
Castigo, também, ao salto alto de quem fez “oba-oba” depois do empate por 0 x 0 em La Plata considerando que o Flamengo repetiria o mau futebol e passaria facilmente pelo adversário no Maracanã. A Jorginho, que fez piada com o Palmeiras, falhou nos pênaltis. A Rossi, incapaz de defender uma cobrança sequer contra o Estudiantes. O contrário do que fez em 2025 contra o mesmo adversário, quando saiu como herói do Estádio Uno.